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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O “voto do cajado” e o presente grego


Deu no O Estado de São Paulo e no O Estado de Minas deste fim de semana. Mas já havíamos publicado aqui no dia 30 de agosto. A campanha promovida pela Rede FALE “Fale contra o voto de cajado” que pretende levantar a discussão sobre o chamado “voto do cajado”* vem ganhando espaço na mídia secular, em especial na internet. As páginas que divulgam a iniciativa já receberam milhares de visualizações**.
O problema da manipulação política no meio evangélico, infelizmente, não é recente. Ultimato já vem falando sobre isso há anos. Em setembro de 2000, por exemplo, nosso colunista, o sociólogo Paul Freston dizia no artigo A campanha eleitoral: raiz de todos os males:
“O privilegiamento institucional será um presente de grego para as igrejas, criando dependências, incentivando hipócritas, amarrando a boca profética. O candidato precisa educar os ingênuos e frear os sedentos de poder e de benesses”.
Freston escreveu um livro só sobre a relação entre a Igreja e Estado, no qual ele discute, entre outras coisas, a ética política no meio evangélico:
“Se alguém me pergunta se confio em algum político evangélico, respondo que não. Aliás, biblicamente, não devemos confiar nos príncipes, mesmo que sejam evangélicos e tenhamos ajudado a colocá-los no poder. É por termos um ensino superficial do pecado que nos damos mal politicamente e criamos ídolos”.
Em 2008, o (já falecido) bispo Robinson Cavalcanti, autor do clássico Cristianismo e Política, também criticava veementemente a duvidosa compreensão do evangélico sobre o assunto no artigo A Participação dos Evangélicos na Política Brasileira: 
“Para o evangélico médio, política é sinônimo de partidos e eleições. Daí o “avivamento” cíclico da profusão de candidaturas, desde as “oficiais” às resultantes de “profecias”, de níveis aquém do desejado e de resultados eleitorais cada vez mais escassos. Se o crente comum não recebe ensino sobre como fazer diferença na vida em sociedade, aqueles que ocupam posições nos poderes do Estado são, em geral, carentes de uma proposta diferenciadora ou de uma ética superior”.
O que se vê hoje parece algo ainda mais estranho, porque a manipulação religiosa já superou a lógica “irmão vota em irmão”. Agora é “irmão vota em quem o pastor indicar, seja o candidato evangélico ou não”. 
A campanha da Rede FALE também inclui a realização de eventos e debates em várias cidades do Brasil. Clique aqui e saiba mais.

Notas:
* O "voto do cajado" é uma expressão que faz alusão à manipulação de líderes de igrejas para que seus fiéis votem em candidatos indicados por eles.

** A página da Rede FALE no Facebook já recebeu mais de 100 mil visualizações.

extraído de ULTIMATO.com.br

terça-feira, 3 de maio de 2011

Onde está o governo nessa história?

Duas coisas que me indignaram hoje
Saúde e educação no Estado da Paraíba: Dois graves problemas

Hoje duas noticias sobre problemas públicos aqui no Estado da Paraíba me chamaram muito a atenção. Vale salientar que não estou atacando (ainda, e espero não precisar!) ao governo  do Estado. Porém aproveito este espaço para levantar algumas questões relevantes.

A primeira noticia foi sobre o hospital de traumas do Estado. Ele foi feito para comportar até 150 leitos, porém está com mais de 220 provocando uma lotação no estabelecimento. Pacientes à semanas internados nos corredores do hospital, sangue no chão da pediatria e demais problemas relacionados à higiene retratam a calamidade do local. Perante a situação médicos têm sido forçados à  “brincar de Deus”, ou seja, decidir muitas vezes quem fica vivo e quem fica morto. O governo do Estado vai se pronunciar oficialmente à imprensa nesses próximos dias. Vamos ver o que vão dizer. Pior que o problema não é apenas no Hospital de traumas. A saúde do Estado está uma verdadeira vergonha.
A segunda noticia diz respeito aos professores do Estado que entraram em greve nessa segunda-feira em protesto ao baixo salário que é pago a eles e pelo fato de uma grande quantidade de profissionais concursados que estão a um grande tempo esperando por serem chamados, porém nada. O governo afirmou que enquanto eles estiverem em greve não haverá negociação.  Será veremos uma atitude verdadeiramente justa por parte do Governo?
Será que nesta gestão do Excelentíssimo Governador Ricardo Coutinho veremos uma transformação marcante na Educação e na saúde do nosso Estado? Será que o governo atual esta administrando bem o tempo destinado ao trabalho pela melhoria do povo paraibano, principalmente na luta por uma educação, saúde publica e segurança mais digna, ou ele esta perdendo tempo com outras coisas e esquecendo o essencial? Não sei. Prefiro tomar cuidado com as palavras pois talvez ainda seja cedo para afirmar algumas coisas. Como votei no presente Governador na ultima eleição e tenho a certeza que meu voto foi bem pensado continuo esperançoso por uma boa administração atual.
Sou usuário do Sistema Único de Saúde. Minha família não tem condições de pagar um plano de saúde. Sei que amanhã poderei estar deitado em uma daquelas macas e sei que muitos homens justos tem sofrido humilhação em alguns hospitais do Estado onde vemos leitos e mais leitos acumulados em lugares indevidos. Minha namorada e eu somos professores e compartilhamos diariamente o quão desvalorizada é a nossa categoria. Esperamos ver uma melhora significativa nos próximos meses, pois se não o povo vai se revoltar mais ainda. E eu também.


Por Helton de Assis Freitas