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terça-feira, 24 de setembro de 2013

O que é confiar em Deus? “a partir de uma reflexão cristã”

A
confiança é a base sólida de qualquer relacionamento humano bem sucedido. Infelizmente a desconfiança prevalece em nossa sociedade: desconfiamos das pessoas, desde o cônjuge até o Presidente da República. Se algum desconhecido se aproxima de nós, tendemos a desconfiar de suas intenções. Os consultórios de Psicologia estão repletos de pessoas que perderam a capacidade de confiar nos outros.
De fato, há razões concretas para a desconfiança: a violência urbana e a competitividade profissional aumentam a cada dia. A própria Bíblia adverte: “maldito é o homem que confia no homem” (Jeremias 17.5). Porém, isto não significa que devamos viver desconfiados pois a mesma Bíblia afirma que “o amor (...) suspeita mal” (1 Coríntios 13.4,5).

Desconfiar de Deus ou confiar nele erroneamente suscita uma crise no relacionamento entre homem e Deus. Esta crise, se não resolvida, traz conseqüências eternas e efeitos sobre todos os outros relacionamentos: conjugais, familiares, sociais, profissionais, etc. É preciso lembrar que Deus é uma pessoa e, como nós, se entristece quando é alvo de desconfiança. Às vezes desconfiamos de suas intenções, de suas ações, de sua Palavra, de seu silêncio, de seu poder e de seu amor. Desconfiamos mesmo quando pensamos que confiamos. Isto porque não entendemos claramente o que é confiar em Deus.


CONFIAR EM DEUS NÃO É PREVER O FUTURO

Freqüentemente queremos demonstrar a nossa confiança em Deus fazendo afirmações sobre acontecimentos futuros (alguns chamam isso de “profetizar”). Será que confiar em Deus consiste nisso?

É próprio do ser humano querer saber o que vai acontecer consigo e com os outros; isto advém de sua necessidade de segurança. Não por acaso, sempre houve em toda parte adivinhos com diversos nomes: videntes, pitonisas, necromantes, cartomantes, tarólogos, astrólogos etc. Com os cristãos isso não é muito diferente, pois eles também têm a sua necessidade de segurança e, infelizmente, também recorrem à adivinhação para supri-la. Há dois grandes equívocos nisso:
Primeiro: Deus condena qualquer forma de adivinhação. “Não se achará no meio de ti (...) nem adivinhador, nem prognosticador, (...) nem quem consulte um espírito adivinhador (...) pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor (...)” (Deuteronômio 18.10-12). Segundo: Ao invés de confiança em Deus, afirmações desta natureza sobre o futuro expressam presunção e como tal, maligna (Tiago 4.13-17).

Podemos saber as conseqüências de nossas atitudes e ações à medida que a Palavra de Deus nos revela. Mas não podemos prever os acontecimentos: o que, quando e como. Como diz o ditado “o futuro a Deus pertence” e é sempre (embora, às vezes, não pareça) o melhor para os seus filhos. Esta foi a experiência de Abraão (Hebreus 11.8 e a de Sadraque, Mesaque e Abdnego (Daniel 3.16-18).


CONFIAR EM DEUS NÃO É CONTROLAR DEUS

Também erramos ao acharmos que confiar em Deus é reivindicar, com “ousadia e autoridade”, as bênçãos que queremos de Deus. Fazemos isto por meio de “correntes”, “clamores”, “jejuns”, “vigílias”, “votos” e até cultos de ação de graças antecipadamente.

Não estar no controle das situações é difícil para muitos, pois traz um sentimento de impotência e de incerteza sobre o futuro. Os povos primitivos sempre tentaram controlar as ações de seus deuses (em prol da chuva, por exemplo) por intermédios de rituais e oferendas. Os cristãos não estão isentos de terem o mesmo sentimento e semelhante prática de manipulação religiosa.

Ma verdade, Deus é imprevisível e cheio de surpresas. Por ele não nos responder como imaginamos (em boa parte das ocasiões), podemos erradamente concluir que nos faltou fé ou que Deus nos desprezou. Esquecemos que Deus é soberano, todo-poderoso e criativo (Isaías 55.8,9). Bons exemplos ocorreram com Sara (Gênesis 18.10-15) e Pedro (Atos 10.28,44-47).


CONFIAR EM DEUS NÃO É SER IRRACIONAL

Ao contrário dos que muitos dizem, ma Bíblia a fé não se opõe à razão. Fé se opõe à “visão”, isto é, aos sentidos: “Porque andamos por fé, e não por vista” (2 Coríntios 5.7).

Confiar em Deus não é aceitar ingenuamente tudo o que fazem ou declaram a nosso respeito em nome de Jesus: “Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio (...)” (Salmos 32.9).

A confiança do homem moderno na razão trouxe grandes desapontamentos: avanços tecnológicos não resolveram os grandes problemas existenciais e sociais (pobreza, fome, guerras, falta de sentido para a vida, etc). Isto acarretou no final do século XX um recrudescimento do misticismo como tentativa desesperada de encontrar soluções.

Aquele que confia em Deus não menospreza a sua razão, porque tem a mente de Cristo e discerne bem tudo (1 Coríntios 2.15,16) Deus se revela ao homem pela sua Palavra, que é um veículo racional de comunicação. A nossa confiança em Deus vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17).


CONFIAR EM DEUS NÃO É TER PENSAMENTO POSITIVO

Confiar em Deus não achar que tudo vai bem quando tudo vai mal. Às vezes pensamos que demonstraremos confiança em Deus se pensarmos positivamente contra todas as evidências.

A doutrina do “pensamento positivo” é mundana, e não é centrada em Deus, mas no próprio homem. De acordo com esta doutrina, o importante é ter fé, não importa em que ou em quem. O pensamento em si mesmo seria capaz de mudar as coisas. O Dr. Norman Vicente Peale, maior responsável pela difusão dessas idéias, aconselhava que as pessoas dissessem “eu creio” três vezes ao acordar para serem felizes.
  

Aquele que confia em Deus não menospreza a sua razão porque tem a mente
de Cristo e discerne bem tudo (1 Coríntios 2.15,16). Deus se revela ao homem pela
sua Palavra, que é um veículo racional de comunicação. A nossa confiança
em Deus vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17).


Pensar positivamente faz bem à saúde mental, mas se alienar da realidade faz muito mal. Confiar em Deus não é fechar os olhos para os fatos. Antes, constatamos, na Bíblia, Davi se angustiando diante da calamidade, mas “esforçando-se diante do Senhor seu Deus” (1 Samuel 30.1-6). O versículo bíblico “tudo posso naquele que me fortalece” não deve ser usado como “palavra mágica”, uma espécie de “abracadabra” evangélico. Poder tudo, no contexto bíblico depende da vontade daquele que fortalece e inclui o poder de contentar-se com o que se tem, e até eventualmente, padecer necessidade (Filipenses 4.10-19).


CONCLUSÃO

Até agora apresentamos o problema e o que não é confiar em Deus. Chegou o momento de respondermos positivamente a questão.

Confiar em Deus é aceitá-lo como alguém digno de toda confiança no que faz e promete. Quem concebe Deus desta forma e se relaciona com ele de acordo com esta concepção, “descansa” nele (Salmos 37.5). O que Deus faz e promete, encontramos na Bíblia; portanto, confiar em Deus é obedecer à sua Palavra. A definição bíblica de fé (Hebreus 11.1) contempla esta perspectiva:
Primeiro: “é o firme fundamento das coisas que se esperam”. Claro está que só podemos esperar segundo a Palavra (Hebreus 11.3a; Salmos 119.114);
Segundo: “é a prova das coisas que se não vêem”. Sim, pois a aparência engana e Deus é sempre fiel (Hebreus 11.3b; 2 Timóteo 2.13).

Em suma, confiar em Deus é viver em consonância com sua vontade que “é boa, perfeita e agradável” (Romanos 12.2b).

Deus nos criou para manter com ele uma relação de amor. E foi às últimas conseqüências, enviando o seu Filho para morrer em nosso lugar, para salvar esta relação. Também preparou coisas inimagináveis para os que o amam (1 Coríntios 2.9). Mas, para tanto precisamos responder ao seu amor mediante a confiança. Quem ama, confia.

Confiaremos no Senhor de todo nosso ser (Provérbios 3.5)?





Autor: 

Anderson Nunes Pinto

Psicólogo formado pela UFRJ, especialista em Envelhecimento e Saúde do Idoso pela ENSP / FIOCRUZ, membro da Primeira Igreja Batista em Vila Kennedy, Professor da Classe de Jovens da EBD – Escola Bíblica Dominical

quarta-feira, 24 de abril de 2013

LEGALISMO E LIBERTINAGEM

por HELTON DE ASSIS
Durante minha caminhada com Cristo passei por inumeraveis e variadas experiências. Cresci muito com outros irmãos, com pastores, viagens missionárias, eventos evangélicos, entre outros. Todavia percebi que, ao contrário do que eu pensava até certo momento, as comunidades cristãs as vezes são vulneráveis a muitos problemas. Isso foi confirmado pelo Senhor Jesus quando afirmou que "há joio no meio do trigo". 
Quero aqui abordar sobre dois problemas comuns em muitas congregações cristãs. O problema do legalismo e o problema da libertinagem. Dois problemas diferentes um do outro, mas que o mesmo tempo são interligados. Vi várias vezes alguns cristãos serem injustamente taxados de legalistas por alguns, como também eu mesmo passei por isso ao manifestar descontentamento com algumas práticas inconvenientes “comuns” em algumas comunidades evangélicas.  
Vejamos e analizemos algumas questões sobre a temática "legalismo e libertinagem"
1.       O real significado de legalismo: Legalismo é o ato de inventar pré-requisitos para salvação, sem nenhuma base bíblica. Legalismo também significa impor fardos religiosos sem sentido sobre a vida de uma pessoa.
O professor James Packer , em seu livro “Teologia Concisa” afirma sabiamente: “Qualquer acréscimo que requeira de nós uma tomada de ação para acrescentar algo ao que Cristo nos deu é um retorno ao legalismo e, de fato, um insulto a Cristo.”  John Hendryx  também define o legalismo de forma  interessante: “Qualquer tentativa de apoiar-se no esforço próprio para obter ou manter nossa justificação diante de Deus é legalismo.
2.       O que não é legalismo: Muitos infelizmente confundem zelo e disciplina com legalismo. A bíblia ressalta a necessidade da disciplina em todas as áreas de nossas vidas. Ninguém vence uma batalha ou alcança seus objetivos sem disciplina. Na vida cristã e no funcionamento ministerial da igreja é da mesma forma: Sem disciplina as coisas ficam bagunçadas.
Todos sabemos que as comunidades cristãs são compostas por pessoas imperfeitas e pecadoras, entretanto Cristo nos exortou a lutar pelo aperfeiçoamento e rejeitar a libertinagem. É aí que entra a disciplina cristã.  Cristo afirmou:
“Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir , ganhastes a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentil e publicano.” (Mateus 18.15-17)
Já Paulo diz:
“Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epistola, notai-o; nem vos associeis com eles, para que este fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão.” (2ª Tessalonicences 3. 14 e 15)
Sem zelo e sem censura em determinadas ocasiões nenhuma igreja pode está bem ajustada aos planos de Deus. Enquanto a igreja for composta por seres humanos ela carecerá de orientação e cuidados constantes.  O zelo é indispensável, sem ele nos afastamos das exigências éticas bíblicas, da pureza espiritual e até mesmo do amor.
3.       Exemplos de autêntico legalismo: No Novo Testamento encontramos um caso interessante de legalismo. O evangelho de São Mateus relata Jesus criticando fortemente alguns líderes Judeus que impunham sobre a população ritos e práticas religiosas vazias e prejudiciais para alma:
“...Amarram fardos pesados e os põem nas costas dos outros, mas eles mesmos não os ajudam, nem ao menos com um dedo, a carregar esses fardos.(...) Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês fecham a porta do Reino do Céu para os outros, mas vocês mesmos não entram, nem deixam que entrem os que estão querendo entrar. (...) Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês atravessam os mares e viajam por todas as terras a fim de procurar converter uma pessoa para a sua religião. E, quando conseguem, tornam essa pessoa duas vezes mais merecedora do inferno do que vocês mesmos.(...) Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês lavam o copo e o prato por fora, mas por dentro estes estão cheios de coisas que vocês conseguiram pela violência e pela ganância. Fariseu cego! Lave primeiro o copo por dentro, e então a parte de fora também ficará limpa!
Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão. Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados.” (Mateus capitulo 23)
Os fariseus do tempo de Cristo são exemplo de praticantes de legalismo. Eles eram meramente formalistas,  muitos inclusive valorizavam fundamentalmente a aparência da ação e negligenciavam motivos e propósitos.  O legalista tende a reduzir  a vida à guarda mecânica de regras.
Nos dias de hoje o legalismo virou algo muito presente no meio evangélico, especialmente no Brasil, um país muito marcado pelo formalismo e tradicionalismo. Existem aqueles que afirmam  que uma mulher ao aceitar Jesus precisa passar a usar apenas saia ou deixar de usar esmalte nas unhas; também existem aqueles que erroneamente afirmam que um cristão verdadeiro não pode tomar nenhum gole de bebida alcoólica pois esta seria intocável para um servo de Deus (é claro que o problema esta em se embriagar ou digeri-la na presença de irmãos de fé frágil). Existe inclusive alguns que afirmam que o cristão não pode assistir uma boa partida de futebol ou torcer para o time de sua cidade conquistar o campeonato regional. Existe legalismo de várias formas, desde o proibir um convertido a escutar uma bela música de Toquinho ou Andrea Bocelli até o ato de impedir uma pessoa de participar de um culto por estar de bermudão.
4.       Exemplos de zelo cristão erroneamente confundidos com práticas legalistas: Infelizmente muitos ao combater práticas negativas e libertinagens no meio evangélico acabam sendo taxados de legalistas. Mas independente do que alguns pensam acerca da disciplina eclesiástica precisamos valoriza-la, pois como vimos ela é fundamental. 
Um exemplo de zelo confundido com legalismo que aconteceu na minha própria vida ocorreu no verão de 2009, durante um acampamento para adolescentes. Na ocasião o pastor responsável pelo evento ao cantar uma música no auditório pediu para que a banda tocasse um pagode, o problema começou quando ele decidiu rebolar semelhantemente àqueles cantores do carnaval baiano em cima de um trio elétrico. Logo após ele chamou mais alguns lideres para dançarem e “requebrarem” com ele e aquela ocasião transformou-se em um autêntico bloco carnavalesco, faltando apenas o abadá. Ao termino da “quebradeira” questionei o “pastor swingueiro” acerca da conveniência do ocorrido e ele simplesmente afirmou ofendido: “O que fizemos foi para chamar a atenção dos não-convertidos e quebrar o gelo. Você parece que não sabe discernir isso. Não seja radical Helton!”. Me arrependo de não ter até hoje respondido: “Desde quando precisamos da ajuda do Diabo para evangelizar e fazer a obra de Deus?”
É triste saber que métodos perigosos tem sido usados por muitas igrejas afim de multiplicar a quantidade de evangélicos. Pior saber que realmente cresce rapidamente o numero de membros de muitas dessas igrejas.  Pena que nem todos percebem que esse tipo de crescimento é semelhante ao crescimento de um frango de granja, cujo desenvolvimento é forçado por hormônios injetados, mas em contrapartida o sabor desta carne é bem inferior ao do frango de criação, com desenvolvimento natural.
São muitos os casos: Alguns seguidores de Jesus são criticados por afirmarem ser contra determinadas danças sensuais, outros são taxados por não aprovarem a participação de crentes em esportes violentos ou em grupos musicais cujas letras desrespeitam a Deus e ao próprio homem,outros são tidos como radicais ao afirmarem que não convem ao cristão assistir filmes de terror, e assim vai...
Não podemos nos conformar com práticas erradas no meio cristão, precisamos mostrar o que a Bíblia diz, independente da perseguição que podemos sofrer.
Para encerrar: O que será pior, o legalismo ou a libertinagem?
Não sei ainda, mas podemos ter a certeza que ambos precisam ser combatidos de forma inteligente. Alguém certa vez disse: “quando um erro é insistentemente repetido várias vezes seguidas ele tende a deixar de ser considerado um erro”.  Se não prezarmos pela integridade do nosso cristianismo teremos nossa integridade em crise.
Por rejeitarem o amor e a simplicidade muitas igrejas tem se tornado meras salas de aula monótonas e com professores monótonos ou simples postos de desencargo de consciência. Por rejeitarem o zelo, muitas igrejas tem se tornado meros clubes sociais ou meros teatros e casas de show.




O Senhor nos fortaleça integralmente, em nome de Jesus!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O que é confiar em Deus? “a partir de uma reflexão cristã”


Por Anderson Nunes Pinto

A
confiança é a base sólida de qualquer relacionamento humano bem sucedido. Infelizmente a desconfiança prevalece em nossa sociedade: desconfiamos das pessoas, desde o cônjuge até o Presidente da República. Se algum desconhecido se aproxima de nós, tendemos a desconfiar de suas intenções. Os consultórios de Psicologia estão repletos de pessoas que perderam a capacidade de confiar nos outros.

De fato, há razões concretas para a desconfiança: a violência urbana e a competitividade profissional aumentam a cada dia. A própria Bíblia adverte: “maldito é o homem que confia no homem” (Jeremias 17.5). Porém, isto não significa que devamos viver desconfiados pois a mesma Bíblia afirma que “o amor (...) suspeita mal” (1 Coríntios 13.4,5).

Desconfiar de Deus ou confiar nele erroneamente suscita uma crise no relacionamento entre homem e Deus. Esta crise, se não resolvida, traz conseqüências eternas e efeitos sobre todos os outros relacionamentos: conjugais, familiares, sociais, profissionais, etc. É preciso lembrar que Deus é uma pessoa e, como nós, se entristece quando é alvo de desconfiança. Às vezes desconfiamos de suas intenções, de suas ações, de sua Palavra, de seu silêncio, de seu poder e de seu amor. Desconfiamos mesmo quando pensamos que confiamos. Isto porque não entendemos claramente o que é confiar em Deus.


CONFIAR EM DEUS NÃO É PREVER O FUTURO

Freqüentemente queremos demonstrar a nossa confiança em Deus fazendo afirmações sobre acontecimentos futuros (alguns chamam isso de “profetizar”). Será que confiar em Deus consiste nisso?

É próprio do ser humano querer saber o que vai acontecer consigo e com os outros; isto advém de sua necessidade de segurança. Não por acaso, sempre houve em toda parte adivinhos com diversos nomes: videntes, pitonisas, necromantes, cartomantes, tarólogos, astrólogos etc. Com os cristãos isso não é muito diferente, pois eles também têm a sua necessidade de segurança e, infelizmente, também recorrem à adivinhação para supri-la. Há dois grandes equívocos nisso:
Primeiro: Deus condena qualquer forma de adivinhação. “Não se achará no meio de ti (...) nem adivinhador, nem prognosticador, (...) nem quem consulte um espírito adivinhador (...) pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor (...)” (Deuteronômio 18.10-12). Segundo: Ao invés de confiança em Deus, afirmações desta natureza sobre o futuro expressam presunção e como tal, maligna (Tiago 4.13-17).

Podemos saber as conseqüências de nossas atitudes e ações à medida que a Palavra de Deus nos revela. Mas não podemos prever os acontecimentos: o que, quando e como. Como diz o ditado “o futuro a Deus pertence” e é sempre (embora, às vezes, não pareça) o melhor para os seus filhos. Esta foi a experiência de Abraão (Hebreus 11.8 e a de Sadraque, Mesaque e Abdnego (Daniel 3.16-18).


CONFIAR EM DEUS NÃO É CONTROLAR DEUS

Também erramos ao acharmos que confiar em Deus é reivindicar, com “ousadia e autoridade”, as bênçãos que queremos de Deus. Fazemos isto por meio de “correntes”, “clamores”, “jejuns”, “vigílias”, “votos” e até cultos de ação de graças antecipadamente.

Não estar no controle das situações é difícil para muitos, pois traz um sentimento de impotência e de incerteza sobre o futuro. Os povos primitivos sempre tentaram controlar as ações de seus deuses (em prol da chuva, por exemplo) por intermédios de rituais e oferendas. Os cristãos não estão isentos de terem o mesmo sentimento e semelhante prática de manipulação religiosa.

Ma verdade, Deus é imprevisível e cheio de surpresas. Por ele não nos responder como imaginamos (em boa parte das ocasiões), podemos erradamente concluir que nos faltou fé ou que Deus nos desprezou. Esquecemos que Deus é soberano, todo-poderoso e criativo (Isaías 55.8,9). Bons exemplos ocorreram com Sara (Gênesis 18.10-15) e Pedro (Atos 10.28,44-47).


CONFIAR EM DEUS NÃO É SER IRRACIONAL

Ao contrário dos que muitos dizem, ma Bíblia a fé não se opõe à razão. Fé se opõe à “visão”, isto é, aos sentidos: “Porque andamos por fé, e não por vista” (2 Coríntios 5.7).

Confiar em Deus não é aceitar ingenuamente tudo o que fazem ou declaram a nosso respeito em nome de Jesus: “Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio (...)” (Salmos 32.9).

A confiança do homem moderno na razão trouxe grandes desapontamentos: avanços tecnológicos não resolveram os grandes problemas existenciais e sociais (pobreza, fome, guerras, falta de sentido para a vida, etc). Isto acarretou no final do século XX um recrudescimento do misticismo como tentativa desesperada de encontrar soluções.

Aquele que confia em Deus não menospreza a sua razão, porque tem a mente de Cristo e discerne bem tudo (1 Coríntios 2.15,16) Deus se revela ao homem pela sua Palavra, que é um veículo racional de comunicação. A nossa confiança em Deus vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17).


CONFIAR EM DEUS NÃO É TER PENSAMENTO POSITIVO

Confiar em Deus não achar que tudo vai bem quando tudo vai mal. Às vezes pensamos que demonstraremos confiança em Deus se pensarmos positivamente contra todas as evidências.

A doutrina do “pensamento positivo” é mundana, e não é centrada em Deus, mas no próprio homem. De acordo com esta doutrina, o importante é ter fé, não importa em que ou em quem. O pensamento em si mesmo seria capaz de mudar as coisas. O Dr. Norman Vicente Peale, maior responsável pela difusão dessas idéias, aconselhava que as pessoas dissessem “eu creio” três vezes ao acordar para serem felizes.
  

Aquele que confia em Deus não menospreza a sua razão porque tem a mente
de Cristo e discerne bem tudo (1 Coríntios 2.15,16). Deus se revela ao homem pela
sua Palavra, que é um veículo racional de comunicação. A nossa confiança
em Deus vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17).


Pensar positivamente faz bem à saúde mental, mas se alienar da realidade faz muito mal. Confiar em Deus não é fechar os olhos para os fatos. Antes, constatamos, na Bíblia, Davi se angustiando diante da calamidade, mas “esforçando-se diante do Senhor seu Deus” (1 Samuel 30.1-6). O versículo bíblico “tudo posso naquele que me fortalece” não deve ser usado como “palavra mágica”, uma espécie de “abracadabra” evangélico. Poder tudo, no contexto bíblico depende da vontade daquele que fortalece e inclui o poder de contentar-se com o que se tem, e até eventualmente, padecer necessidade (Filipenses 4.10-19).


CONCLUSÃO

Até agora apresentamos o problema e o que não é confiar em Deus. Chegou o momento de respondermos positivamente a questão.

Confiar em Deus é aceitá-lo como alguém digno de toda confiança no que faz e promete. Quem concebe Deus desta forma e se relaciona com ele de acordo com esta concepção, “descansa” nele (Salmos 37.5). O que Deus faz e promete, encontramos na Bíblia; portanto, confiar em Deus é obedecer à sua Palavra. A definição bíblica de fé (Hebreus 11.1) contempla esta perspectiva:
Primeiro: “é o firme fundamento das coisas que se esperam”. Claro está que só podemos esperar segundo a Palavra (Hebreus 11.3a; Salmos 119.114);
Segundo: “é a prova das coisas que se não vêem”. Sim, pois a aparência engana e Deus é sempre fiel (Hebreus 11.3b; 2 Timóteo 2.13).

Em suma, confiar em Deus é viver em consonância com sua vontade que “é boa, perfeita e agradável” (Romanos 12.2b).

Deus nos criou para manter com ele uma relação de amor. E foi às últimas conseqüências, enviando o seu Filho para morrer em nosso lugar, para salvar esta relação. Também preparou coisas inimagináveis para os que o amam (1 Coríntios 2.9). Mas, para tanto precisamos responder ao seu amor mediante a confiança. Quem ama, confia.

Confiaremos no Senhor de todo nosso ser (Provérbios 3.5)?
 

 

 

Anderson Nunes Pinto

Psicólogo formado pela UFRJ, especialista em Envelhecimento e Saúde do Idoso pela ENSP / FIOCRUZ, membro da Primeira Igreja Batista em Vila Kennedy, Professor da Classe de Jovens da EBD – Escola Bíblica Dominical

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Hora de Filosofar: “Jovens: Bem fortes, mas...”

por Bruno Pontes da Costa


Quando fui Aluno da Arma de Infantaria, no NPOR (2004), um simples e jovem estudante universitário do curso de Letras e Teologia, sempre escutei um jargão que se falava no Exército: (...) tem que ser: Bem forte e bem burro!”.Em princípio, eu nunca entendi muito bem o que isto verdadeiramente significava, mas hoje, com outros olhos e um pouco mais de experiência, posso perceber que a grande verdade desse texto, também se disseminou para dentro das escolas e principalmente em algumas Igrejas.
Em uma reportagem executada pela Organização das Nações Unidas - ONU, informa que dos 65 países examinados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos de 2009, o Brasil ficou em 53º lugar em leitura e 57º em matemática. É verdade que ainda não conseguimos alcançar potências como Trinidad e Tobago, Cazaquistão e Azerbaijão, mas em compensação nenhum país está tão preocupado com a busca da felicidade da humanidade quanto nós.
Como explicou Paulo Freire*, “Educar tem pouco a ver com ensinar a ler e escrever”; é antes de tudo preparar o cidadão para que ele seja transbordante de consciência social, tipo predominante nas salas de aula desde que os pedagogos sepultaram a ideia opressora de que a escola deve ensinar português e matemática e banalidades afins, tornando o aluno capaz de ler e contar, e ser razoavelmente apto para andar com as suas próprias pernas.
Porém, esse princípio de Educação com “visão de mundo”, não ajudou muito a Educação do país não! (É só verificar o PIAA 2011) E ainda tem gente que lê esse texto e que acredita em propagandas do Governo que dizem que a educação no país melhorou! De que forma? Onde? 
Infelizmente, a ideia proposta por Paulo Freire de emancipação política do indivíduo, e a crítica reflexiva do homem sobre sua própria condição de oprimido, não vingou por um simples motivo... A igreja também era opressora! A própria Teologia da Libertação foi algo considerado quase que herético por parte da Instituição. Afinal de contas, não poderia ser diferente. Como um jovem engajado no verdadeiro Reino de Deus, poderia ter mais conhecimento do Cristo vivo, do que o sacerdote (grande teólogo super conhecedor do Kosmos**!), isso seria inconcebível para a nossa real sociedade.
Sendo assim, como refletir sobre nossa própria condição de “livres”, se ainda estamos presos a um passado de dogmas, paradigmas e “frescuras religiosas”? E isso tem nos impedido de ver a verdade desvelada no próximo emancipado, no outrem em busca de sua certeza da "caminhada".
Ora, "alunos burros" não poderão ser outra coisa, se não, "crentes burros"! Como se por acaso enchêssemos os jovens das igrejas de atividades, fossem torná-los mais íntimos de Deus, ou das Sagradas Escrituras. Isso não passa de uma grande mentira! Os jovens precisam ser críticos sim, para que recebam pilares que os sustentem para  a vida toda, e não para satisfazê-los apenas em um momento específico da vida! Críticos sim, mas de sua real situação como filhos de Deus e irmão de seu próximo.
A questão não é saber de que ministério participa, ou, de qual igreja faz parte, ou, qual o seu mestre/padre/pastor/mentor... Mas, uma reflexão genuína de sua liberdade de expressão diante de Deus e dos homens, sem preconceitos ou opressão, por parte pastoral ou ministerial de onde viva ou congregue.
A verdade desse resultado científico da ONU dentro das igrejas, se dá quando o jovem não pode participar das decisões como alguém importante no processo de construção (situação a qual o é!), ou quando são excluídos por terem uma “visão” diferente, ou por não concordarem com os posicionamentos impostos pelo sistema eclesiástico, então àquele jovem, acaba por ficar alienado do conhecimento empírico do cristianismo, como o de ter “experiências com Deus”, transformando-os em verdadeira força motriz para os trabalhos secundários da igreja, como: entregar panfletos, fazersites, organizar atividades com crianças de forma discreta e "voluntória", mas, cobrá-los de todas estas atividades, como se fossem profissionais da coisa, sem pelo menos, ensiná-los do que fazer. Traduzindo: querem o peixe pronto, sem ensiná-los a pescar. Caso contrário, Sun Tzu*** neles!!!
É ai que as coisas se encaixam como uma luva para o filósofo francês Voltaire, quando afirma que: “É bom que os pobres continuem pobres e ignorantes, para serem mais fáceis de controlar” (tradução livre), ora, isso faz com que o jovem não pergunte porque isso é assim e não assado? Ou, por que tem de ser desse jeito? Ou, isso não está na bíblia! Ou então, não me sinto bem em fazer isso! Pois, não soaria muito bem na "igreja" não é?! Logo, é melhor ficar calado para não ser disciplinado ou ser excluído da panelinha dos supercrentes que “sabem de tudo”! E no fundo e no raso, não sabem de nada.
Essas consequências tem criado uma geração de jovens desinteressados do Senhor, pois, estão tão ocupados e preocupados com suas “Responsabilidades” (não sei quais?), que não leem mais a bíblia, não oram mais, não ajudam mais seus próprios amigos ou familiares, não ajudam mais ninguém e em nada do que verdadeiramente é importante: Jesus e o Reino de Deus. Daí com muita sabedoria, o discípulo amado de Cristo, em sua primeira carta diz: "... Eu vos escrevi, jovens porque sois fortes, e a Palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno" 1 Jo 2.1 .
Para concluir, acabo por concordar sociologicamente, que a superficialidade a qual temos enfrentado no cristianismo “jovem” de hoje,  deixa muito claro que o Exército e a Igreja só servem como instrumentos de repressão e aparelhos do Estado, pois, realmente só precisam de "jovens"...
"... Bem fortes", mas, "bem burros"... 
Pr. Bruno Pontes


_________________________________________________________________________

      *- Paulo Freire, em: Pedagogia do Oprimido.
    **- Kosmos (grego), trad.: Mundo.
  ***- Sun Tzu, em: A Arte da Guerra.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

REFLEXÃO - O CRISTÃO NA UNIVERSIDADE: AGIR OU SE ENVERGONHAR?



Por Helton de Assis
Vice-presidente da ABU João Pessoa
Estudante de História (UFPB) e Teologia (FAENOR)

Estou cansado de ver colegas meus que se dizem seguidores de cristo, permanecer indiferentes a tantos ataques que o Reino de Deus sofre no meio acadêmico.
Se ao menos metade deles, simplesmente não se omitissem, vivesse de fato como seguidores de Jesus, a visão que os incrédulos teriam dos cristãos seria bem melhor.

Recentemente um professor meu perguntou na sala de aula:
 “- Quem Aqui acredita em Deus?”
levantei a mão, e ao mesmo tempo olhei para meus colegas. Percebi que fui o único que levantou a mão.
Então o professor perguntou novamente:
“- Quem aqui acredita no Diabo?”
Mais um vez levantei a mão e olhei de lado para checar se mais alguém havia se manifestado. Daí como já era de esperar, ninguém levantou.

O que aconteceu nessa ocasião serve para ilustrar como é chocante o estado dos “seguidores de Cristo” na universidade. Sei que eu não era o único crente naquela sala. Garanto que haviam no mínimo 6 ou 7 que se dizem evangélicos. 

Agora me resta indagar sobre o motivo que leva tantos crentes a sentirem vergonha de dizerem que acreditam em Deus. Isso é vergonhoso! Já não basta o estado de inércia onde a maioria se encontra... 

A bíblia é clara quando se refere as características dos seguidores de Cristo. Se um "cristão" não possui essas caracteiristicas básicas que deve-se ter (como dedicação, obras e testemunho pessoal)  então creio que, ou estes são crentes nominais, ou são covardes, ou não estão seguros quanto a razão da fé deles. Ou os três.

Ó temporas, ó mores!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crer Ou não Crer: Eis o Cristão! (Final)


O Terceiro e Último Diálogo!
Por Bruno Pontes da Costa


Tenho visto algumas situações que envergonham o evangelho. Existem pregadores vivendo uma vida dupla; o adultério, o alcoolismo, os desvios de dízimos, os escândalos, tudo isso já se tornou “comum”. Parece que as igrejas estão se tornando um clube social com fins lucrativos, onde se reúnem apenas para se confraternizarem, onde a Palavra e o louvor a Deus ficam em segundo, terceiro ou último plano, se estiverem incluídos no plano.
Não existe mais um ambiente sagrado onde a presença do Senhor é derramada para curar, libertar, restaurar e salvar. Você pode sentir o mesmo que eu quando visitar algumas igrejas assim! Refletindo sobre isso, me ocorre também que muitas vezes divagamos acerca da nossa real necessidade.
Começo a pensar que estamos vendo a igreja do Senhor se moldando as tradições do mundo. As pessoas não enxergam suas falhas, e o que lhes faltam é abrir seus olhos para ver sua verdadeira situação. Reconhecer que suas vidas precisam ser restauradas, e passar a viver em total dependência e obediência a Deus, está se tornando cada vez mais difícil.
Os crentes cegos, que por sua falta de fé, estão deixando de levar plenamente a sério as verdades, as exortações, as advertências, as promessas e o ensino da Palavra de Deus. É porque acham os encantos do mundo bem mais atraentes do que os do reino celestial de Deus! E o engraçado é que ninguém mais quer ser exortado ou ser chamado a atenção, pois, sempre leva para o lado pessoal, ou encara como desobediência, heresia ou sei lá o quê?! Parece que ser sincero é o errado, as pessoas das igreja querem mesmo é terem os seus egos massageados incutindo uma verdadeira “pedagogia do reforço”, para quem precisa na verdade da “pedagogia da chibata”.
Muitas vezes por causa da aparência enganosa do pecado, as pessoas estão se tornando cada vez mais tolerantes com o pecado (I Co.6.9-10). A confusão espiritual dos últimos tempos tem dado muitas oportunidades para o surgimento de inúmeras falsas doutrinas, que tem disseminado principalmente dentro das nossas igrejas. Pessoas que caem de paraquedas, filosofias e teologias furadas que não tem nada haver com a bíblia e ainda dizem que é uma “benção reconhecida em muitos lugares” (eu acho que, só se for no inferno!).
Jesus afirmou que o nosso adversário age como um pai para os que lhe pertencem, porém um pai destituído de misericórdia (Jo.8.44). No século passado, o grande mal da humanidade era a incredulidade. Hoje, parece ser o contrário: a credulidade, ou seja, os cegos espiritualmente acreditam em tudo o que o inferno ou os usados por ele lhes sopra nos ouvidos.
Daí, vemos o sucesso dessas seitas, e muitos participantes delas são de pessoas que são ou já foram evangélicas! Alguns anos atrás vi um irmão evangélico fazendo “simpatia” no seu consultório para aumentar a sua clientela! Não estão percebendo que há um reino espiritual maligno que tem cegado os seus olhos do entendimento para que não compreendam a verdade da salvação que há em Jesus (Ef.2.2-3 – II Co. 4.3-4). Pastores e ovelhas com medo de superstições e outras frescuras mais... Só a graça.
Esses cegos de nossas igrejas estão apelando para todos os lados, não se importam com aquelas religiões “montadas” que nada tem a ver com os verdadeiros ensinos de Jesus. Basta um vento diferente e lá se vão eles! Coitados, não sabem nem para onde estão indo, não tem identidade, não sabem nem porque estão ali, para eles qualquer resposta está valendo, desde que me convença! Pobres cegos.
Não estou aqui para atacar ninguém. Muito pelo contrário, meu papel como pastor é abrir os olhos dos que querem ser curados e não dos “super eleitos predestinados”. Por isso, não cito nomes de igrejas, denominações ou o que considero falsas seitas, mas é bom que você, meu irmão e minha irmã, saibam que existem alguns pontos importantes que nos levam a identificar se uma igreja ou um movimento religioso está lhe atraindo para uma emboscada. Abra os seus olhos!
A verdade também, é que há muitos corações duros dentro das nossas igrejas, e por causa disso passaram a rejeitar os caminhos de Deus. Já não amam a retidão, nem odeiam a iniquidade. Fazem as mesmas coisas! O Espírito Santo tem se entristecido, e em várias igrejas o seu fogo (falo do fogo do Espírito, não o do rétété!) está se extinguindo, por que o seu templo está sendo profanado com as más intenções do homem (I Co. 3-16), e suas más conversações e acusações às meninas dos olhos de Deus.
Se os crentes cegos continuam suas vidas sem refreio, eles podem finalmente, chegar ao ponto em que não seja mais possível um recomeço, caso não ouçam mais a voz de Deus. A Bíblia declara que Deus receberá todos que já desfrutaram da sua graça salvadora, se arrependidos voltarem a Ele.
Os cegos espirituais normalmente passam a ter um coração incrédulo. Pensam que ainda são crentes, mas as suas indiferenças para com as exigências de Jesus, indicam o contrário! Paulo exorta todos aqueles que afirmam que já se encontram salvos: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos” (II Co.13.5).
Você tem se provado? Ainda permanece firme na fé? Tem examinado a sua vida espiritual com rigor? Todas as áreas da sua vida estão agradando ao Senhor? Lembre-se de uma coisa: Quando não estamos mais olhando para Jesus é porque estamos cegos espiritualmente, e o cego ainda que esteja com os olhos fitando para o sol do meio-dia, não consegue enxergar a sua luz! Isso acontece com todos aqueles que tentam andar fora do caminho do Mestre. 

Conclusão

Sabe por que Jesus não quer cego andando na sua igreja? É que o Mestre sabe que o cego fica alheio a tudo que Ele lhe oferece. O cego vive de imaginação, adota heresias, e é propenso as falsas doutrinas, não ora, é relaxado espiritualmente, não tem fé, e vive das e pelas experiências dos outros, quando não inventa uma! 
Jesus quer dar uma nova oportunidade para aqueles que ainda não viram, e não sentiram a sua presença. O Mestre quer realizar tudo aquilo que ainda não pôde, em face da cegueira de muitos, que só o admiram, mas não conseguem adorá-lo! Tenha convicção de que Deus lhe chamou e tem um plano especial para a sua vida.
Cuidado para não se deixar envolver em especulações religiosas ou filosóficas a ponto de ficar em dúvidas e acabar apostatando da fé. Creia naquilo que a Bíblia, a Palavra de Deus afirma. Tenha cuidado e pense consigo mesmo se você não está ficando cego nem burro, porque na realidade está querendo satisfazer seus próprios interesses e não os de Deus!
Na verdade, todos precisam ouvir esta exortação. O evangelho precisa ter o sentido de solidariedade, compaixão e amor por nossos semelhantes. Não espere aplausos da terra
Como discípulo de Jesus, sinta-se um privilegiado em colaborar com o Senhor. Sobrarão exemplos da sua modéstia, e quem irão bater palmas para você serão os anjos no céu. Deus tudo vê. Deus é fiel.
Por fim, segundo Stott, O conhecimento deve conduzir-nos a adoração, à fé, à santidade e ao amor.
“O conhecimento é indispensável à vida e ao serviço cristão. Se não usamos a mente que Deus nos deu, condenamo-nos à superficialidade espiritual, impedindo-nos de alcançar muitas riquezas da graça de Deus. Ao mesmo tempo, o conhecimento nos é dado para ser usado, para nos levar a cultuar melhor a Deus, nos conduzir a uma fé maior, a uma santidade mais profunda, a um melhor serviço. Não é de menos conhecimento que precisamos, mas sim de mais conhecimento, desde que o apliquemos em nossa vida”.
Quem não vive para servir o próximo oprimido, necessitado, não serve para viver em comunhão, a terra só precisa de um soberbo “Satanás”, na dúvida, fique na sua, “pois, quem não espalha, ajunta”.

Fraternalmente em Cristo,

Pr. Bruno Pontes – Teólogo pela Libertação


Referências
Revista Santa Rita  (Ano 02, Numero 4, Primavera de 2007). Roberto Pepi Contieri (dir. Acadêmico) ISSN 1980-1742.
Sem Nome.  William Shakespeare. Biografia . Acesso: 29 de junho de 2011.
Sem Nome.  Percy Bysshe Shelley. Biografia . Acesso: 29 de junho de 2011.
Sem Nome. Cegos Perdidos Dentro da Igreja. www.webservos.com.br/gospel/estudos/ . Acesso: 29 de junho de 2011.
Revisão e Editoração: Calvin Gardner. Pr. Ron Crisp . O Espírito Santo Professor Como.www.palavraprudente.com.br / . Acesso: 29 de junho de 2011.
Crer also Pensar é. Jonh Stott. ABU Editora. 1921. ISBN 978-85-7055-029-3
Mentalidade Cristã, Posicionamento do Cristão los UMA Sociedade Não-Cristã. Jonh Stott. ABU Editora. 1921. ISBN 978-85-7055-029-3

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