quinta-feira, 27 de setembro de 2012

EXEGESE TEXTUAL E ANALÍTICA LITERÁRIA (João 21:20-25)



Prof. Bruno Pontes da Costa*

Para meus amigos(Pastores, teólogos e Linguistas) e a meus alunos de Exegese do NT sobre duas supostas dúvidas ocorrida na leitura do texto em análise:
1ª) Jesus falou que Pedro não morreria?
2ª) Jesus falou para o discípulo que ele não morreria enquanto Deus não cumprisse seus planos?
Então respondendo a tais questionamentos fiz uma exegese superficial sobre o assunto obtendo as seguintes 

 Introdução
  
Esta exegese tem por finalidade esclarecer algumas dúvidas emergentes do texto de João 21:20-25, no intuito de solucionar possíveis desvios de interpretação ou equívocos teológicos e linguísticos oriundos do desconhecimento dos textos originais nas línguas Grega e Latina, bem como sua real análise sintática e morfológica (lexical), para embasar nosso estudo de forma prática e clara.
Em primeiro lugar, se faz necessário identificar que no texto em análise, pode-se constatar que existem três (03) pessoas coexistentes no discurso, e que existe uma relação entre elas durante a leitura, relação essa que chamaremos de 1ª Relação (Relação Interpessoal), ou seja, é possível constatar que ocorre uma participação ativa e passiva dessas três pessoas no contexto, identificadas com: Ἰησοῦς (Jesus), Πέτρος (Pedro) e τὸν μαθητὴν ὃν ἠγάπα ὁ Ἰησοῦς (o discípulo que Jesus amava) cf. Jo 21:20.
          Nos versículos anteriores o diálogo já existia entre duas personagens apenas: Jesus e Pedro (cf. Jo 21:15-19). Encontramos então neste primeiro momento (no v.20), o aparecimento e a participação desta outra personagem, que neste caso é um dos Discípulos de Jesus “aquele discípulo a quem Jesus amava”.
Assim, o identificamos como “o discípulo amado”, o mesmo da cena da Última Ceia, onde reclinara a cabeça sobre o tórax de Jesus v.20 – João, interligado a figura de linguagem elíptica cf. Jo 21:7; Jo 13:23; Jo 20:2.
          A segunda confirmação da personagem do texto ser conclusivamente o discípulo João, encontra-se    na “autoafirmação” de que o mesmo que escreve o Evangelho é também testemunha ocular da cena em pauta, ratificando dessa forma a veracidade dos fatos relatados: “Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.” v.24.

  
 

Logo, podemos concluir certamente quem eram os três participantes desta 3ª aparição de Jesus pós Ressurreição no caso estudado, esta informação nos facilitará explicar as demais relações textuais encontradas a seguir.
          A 2ª Relação a ser feita está no discurso emitido por Jesus em relação à proximidade com os dois discípulos (Pedro e João), e seu diálogo exclusivo com o Apóstolo Pedro em reação ao outro; esta relação nomearemos de Relação de Proximidade. Isso denota uma explicação evidentemente gramatical e semântica e não figurada ou metafórica,excluindo assim qualquer possibilidade de equívoco interpretativo, vejamos:
 No v.20, Pedro vira-se para ver a chegada da 3ª Pessoa a participar desse fato, sendo reconhecido pelo próprio narrador (João), em “E Pedro, virando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava...” v.21a, como no Grego: τὸν μαθητὴν (Koinê) = o discípulo; e no Latim: illum discipulum (Vulgata) = aquele discípulo; ou seja, um Pronome Demonstrativo na 3ª Pessoa do Singular Masculino = aquele.
 No v.21a, “Ora, vendo Pedro a este, perguntou a Jesus:”, neste momento o narrador se coloca em 1ª Pessoa em Relação de Proximidade com Pedro (a este = o discípulo amado = João = Autor do Evangelho).

                       Este              Esse           Aquele
                        Eu                 Tu                Ele
                      1ª Pessoa    2ª Pessoa     3ª Pessoa  (Singular Masculino)

No v.22, “... Se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso? [...]” Nesse momento fica explícito que o diálogo de Jesus tem com Pedro, se refere a João como “ele”, essas relações pronominais também se identificam seus devidos Pronomes: Jesus = eu, pelo Pronome Pessoal do Caso Reto na 1ª Pessoal do Singular Masculino, Pedro = tu, no PP CR 2ªPSM*² e João = ele, no PP CR 3ªPSM*². 

                              
                                    Pedro      Jesus                     João     
                                       "Tu"                "Eu"                           "Ele"

A partícula “Se” utilizada por Jesus no início do v.22, como Pronome Relativo, completando o sentido de “eu quiser” – vontade soberana - transforma o diálogo em uma tensão entre Jesus e Pedro, fazendo com que a oração Subordinada Adjetiva, passe a ser concebida como uma frase interrogativa. Situação a qual Jesus em nenhum momentodeste versículo, ou, nos versículos seguintes, afirma a intenção de fazer com que João permaneça aqui ou não, em resposta a proposição de Pedro no v.21b, “Senhor, e deste que será?”.
Não ocorre de fato a concretização do pensamento de Jesus (em deixar João até o seu regresso) em ato consumado, realmente.
Esta parte do versículo isolada é apenas, única e exclusivamente interrogativa, não podendo assim, se tirar quaisquer conclusões sobre o assunto. É uma oração inacabada, precisando de complemento, sendo prematura qualquer opinião sobre o tópico.
 Porém, o v. 23 é o versículo chave desse texto, e o mais importante em relação aos fatos que se sucederão em sequência.  O próprio versículo indica a resposta do equívoco semântico e interpretativo, tanto dos discípulos, quanto dos teólogos nos dias atuais sendo o versículo determinante de toda locução.
Acompanhe atentamente o que se segue:

O Evangelho Segundo S. João 21:23
Versão
Grego (Grego Koinê: SBL Grego do Novo Testamento: SBLGNT)
1
ἐξῆλθεν οὖν οὗτος ὁ λόγος εἰς τοὺς ἀδελφοὺς ὅτι ὁ μαθητὴς ἐκεῖνος οὐκ ἀποθνῄσκει. οὐκ εἶπεν δὲ αὐτῷ ὁ Ἰησοῦς ὅτι οὐκ ἀποθνῄσκει ἀλλ’• Ἐὰν αὐτὸν θέλω μένειν ἕως ἔρχομαι, τί πρὸς σέ;
Versão
Latim (Jerome's A.D. 405 Bíblia Sacra Vulgata Latina)
2
exivit ergo sermo iste in fratres quia discipulus ille non moritur et non dixit ei Iesus non moritur sed si sic eum volo manere donec venio quid ad te
Versão
Tradução Literal para o Português/Brasil (*)
3
Portanto, saiu esta palavra (divulgou-se esta notícia) para os irmãos, que aquele discípulo (João) não morre. No entanto, Jesus não disse a ele (a Pedro) que "ele (João) não morre", mas: "Caso Eu deseje ele permanecer enquanto Eu venho, que importa a ti?"
Versão
João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (2007) Português/Portugal
4
Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não disse que não morreria, mas: se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?


Visto o texto em quatro Versões distintas, utilizaremo-as como modelo argumentativo para as teses infra mencionadas, a partir de dois equívocos:

O 1º Equívoco – Está no fato de achar que “aquele discípulo” o qual o texto se refere é “Pedro” quando na verdade deveria ser atribuído a “João”. v.23, “Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não disse que não morreria, mas: se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?”; uma vez que na locução fica explicitado que a expressão “aquele discípulo” se refere a João (ele) e não a Pedro, conforme v.20 (aquele), v.21 (deste), v.22 (ele), que agora retoma o discurso para identificar-se como o motivo de disseminação de “boatos” entre os próprios discípulos restantes, implícito no início do versículo 23: “Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito”, que de acordo com o texto original na Versão 1: ἐξῆλθεν οὖν οὗτος ὁ λόγος εἰς τοὺς ἀδελφοὺς, se traduz como: Portanto, saiu esta palavra (divulgou-se esta notícia) para os irmãos (Versão 3). Os irmão são os demais discípulos e Jesus falara não de Pedro, mas sim de João.
Tal equívoco é muito comum em algumas exegeses católicas para darem maior sustentabilidade na “suposta” patriarcalidade romana ao Apóstolo Pedro, ou em exegeses protestantes com tendências pentecostais (neste caso errôneas!) para sustentar o cumprimento messiânico de Pedro em dar continuidade ao ministério eclesiástico e espiritual legado ao referido discípulo por Jesus (cf. Mt 16:18; Mt 18:18; At 4:4), divergindo assim das Sagradas Escrituras.

O 2º Equívoco – Encontra-se no fato de achar que Jesus “afirmou que o discípulo João não morreria” (οὐκ ἀποθνῄσκει), cf. “que aquele discípulo não havia de morrer.” (Versão 4), porém, no mesmo texto, o autor do Evangelho deixa claro que tal notícia não tinha fundamento algum, argumentando inclusive com a negação completa de tal “dito divulgado entre os irmãos”v.23a;  sendo notório em todas as línguas, traduções e versões do Novo Testamento.

ü  No Grego: οὐκ εἶπεν δὲ αὐτῷ ὁ Ἰησοῦς ὅτι οὐκ ἀποθνῄσκει (Versão 1), o texto deixa claro que Jesus “não disse” (οὐκ εἶπεν) que o discípulo não morreria (οὐκ ἀποθνῄσκει);

ü  No Latim: et non dixit ei Iesus non moritur (Versão 2); Onde se percebe nitidamente a língua materna expressando em sua tradução: non moritur = “não morreria”, sendo apenas antecipado na oração o nome de Jesus negando tal sentença em relação à tradução de língua portuguesa;

ü  Em Português: Jesus, porém, não disse que não morreria (Versão 4), inclusive nas mais diversas versões para nossa língua (RC, RAA, NTLH, Restauração, Ave Maria, NVI...) João enfatiza o fato Dele (Jesus) não afirmar a vida eterna ao discípulo; 

ü  No Alemão: Und Jesus sprach nicht zu ihm: „Er stirbt nicht” ( A Bíblia de Luthero - Lutherbibel 1912), nicht = não;

ü  No Inglês: yet Jesus said not unto him, He shall not die; ( A Versão do Rei James - King James Version of the Holy Bible), not = não;

E por fim, na Tradução Literal dos textos bíblicos: “Jesus não disse a ele (Pedro) que "ele (João) não morre" (Versão 3), ou seja, percebe-se que houve uma tentativa exegética frustrada de colocar afirmações teológicas particulares, parciais ou tendenciosas que evidenciam um erro comum no meio cristão, de que: O crente em Jesus Cristo não pode morrer enquanto não se cumprir as promessas sobre sua vida!
Entrando em contradição com a Palavra de Deus em diversas passagens que apenas ratificam nosso entendimento acima apresentado. E tal relação afirmativa não é bíblica, uma vez que o próprio Deus não poupou o seu próprio filho da morte (Rm 8:32), onde todos nós deveremos morrer em Cristo, para também ressuscitar com Ele (Jo 6:40; Jo 6:44; Jo 6:54; Rm 6:8; 1 Co 6:14; 2 Tm 2:11) e todo e qualquer tempo relacionado aos propósitos de Deus é Kairós e não Chronos (tempo de Deus e não tempo humano).
Jesus acabara de explicar a Pedro as circunstâncias em que se daria a Sua morte. Pedro estava curioso se sua experiência seria semelhante à do discípulo amado, que escreveu o Evangelho de João (v. 24). Jesus fugiu da pergunta com uma mensagem cifrada: "Se Eu prefiro que ele permaneça vivo até que Eu venha, o que você tem a ver com isso?" (Tradução Livre).
 O texto faz uma clara distinção entre o "morrer" e o "permanecer". A morte é passageira, porém a permanência no amor, deve ser em Jesus.

                No v.24, o discípulo João, confirma sua autenticidade apostólica em afirmar categoricamente: Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro, declarando ser o próprio autor (João), confirmando que o referido dito que saiu entre os irmãos (em v.23a) foi apenas um equívoco, e assume a responsabilidade da heurística (da verdade dos fatos agora relatados), até mesmo pelos fatos históricos de Pedro ser um pescador, rude e não alfabetizado e do Evangelho de João ter sido escrito entre os anos 95 e 100 d,C., tendo sido aceito cronologicamente o último a ser escrito dentre os quatro Evangelhos, em Patmos.
Enquanto o Filósofo e Historiador Orígenes (185 - 253) responsável pela Escola Catequética de Alexandria afirmou que: "Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve que fosse crucificado de cabeça para baixo", "Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo." Fato ocorrido aproximadamente em 67 d.C*³, morrendo bem antes de ter sido escrito o Evangelho de João, sendo mais uma prova cabal de que tais equívocos não podem prevalecer.

Conclusão

Diante de tais comprovações chegamos as seguintes conclusões:
Primeiro que pela exegese textual fica provado e comprovado que Jesus se referia a João, durante todo seu diálogo com Pedro: No seu reconhecimento (v.20), no questionamento de Pedro sobre a sua situação (v.21), quando indagou se ele quisesse deixá-lo (v.22), no posicionamento soberano de sua escolha (v.23), e na sua autoria e confirmação (v.24).
Em segundo, que houve um conflito de informações durante a divulgação desse diálogo de Jesus com Pedro (v.23a), ocasionando uma falsa crença de que João possivelmente não morreria, pois Jesus talvez tivesse uma predileção pelo discípulo, poupando-o assim dos acontecimentos vindouros (sua segunda vinda e o arrebatamento). Conflito esse resolvido no próprio contexto, onde o autor confirma que Jesus não falou a Pedro que ele próprio não morreria, “mas: se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?” (v.23c), informando a Pedro que deveria prestar a mais atenção em suas escolhas (vida) que na de João: ...que tens tu com isso? Segue-me tu. (v.22)
 Por fim, confrontados os equívocos existentes, com os Textos Sagrados originais e de outros idiomas, torna-se perceptível a clareza na verdade dos fatos (a heurística) envolvidos, facilitando assim a leitura crítico-interpretativa com maior profundidade e sustentabilidade científica na exposição das supracitadas referências.

E como já dizia John Stott: Crer é também pensar!



Referência

MARCOS FERNANDEZ, N., 1973: A Septuaginta na pesquisa contemporânea, Madrid.

VILSON SCHOLZ e ROBERTO G. BRATCHER (trads.), Novo Testamento Interlinear Grego-Português (Sociedade Bíblica do Brasil, 2004).

RIENECKER, Fritz; ROGER, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1995

LIDDELL and SCOTT. Greek-English Lexicon. Oxford University Press.

PEREIRA, Isidro. Dicionário Grego-Português e Português-Grego. Porto: Ed. Apostolado da Imprensa



Textos e Traduções


Grego Koinê (LXX)

20 ⸀Ἐπιστραφεὶς ὁ Πέτρος βλέπει τὸν μαθητὴν ὃν ἠγάπα ὁ Ἰησοῦς ἀκολουθοῦντα, ὃς καὶ ἀνέπεσεν ἐν τῷ δείπνῳ ἐπὶ τὸ στῆθος αὐτοῦ καὶ εἶπεν· Κύριε, τίς ἐστιν ὁ παραδιδούς σε;
21 τοῦτον ⸀οὖν ἰδὼν ὁ Πέτρος λέγει τῷ Ἰησοῦ· Κύριε, οὗτος δὲ τί;
22 λέγει αὐτῷ ὁ Ἰησοῦς· Ἐὰν αὐτὸν θέλω μένειν ἕως ἔρχομαι, τί πρὸς σέ; σύ ⸂μοι ἀκολούθει⸃.
23 ἐξῆλθεν οὖν ⸂οὗτος ὁ λόγος⸃ εἰς τοὺς ἀδελφοὺς ὅτι ὁ μαθητὴς ἐκεῖνος οὐκ ἀποθνῄσκει. ⸂οὐκ εἶπεν δὲ⸃ αὐτῷ ὁ Ἰησοῦς ὅτι οὐκ ἀποθνῄσκει ἀλλ’· Ἐὰν αὐτὸν θέλω μένειν ἕως ἔρχομαι, τί πρὸς σέ;
24 Οὗτός ἐστιν ὁ μαθητὴς ὁ μαρτυρῶν περὶ τούτων καὶ ⸀ὁ γράψας ταῦτα, καὶ οἴδαμεν ὅτι ἀληθὴς ⸂αὐτοῦ ἡ μαρτυρία ἐστίν⸃.
25 ἔστιν δὲ καὶ ἄλλα πολλὰ ⸀ἃ ἐποίησεν ὁ Ἰησοῦς, ἅτινα ἐὰν γράφηται καθ’ ἕν, οὐδ’ αὐτὸν οἶμαι τὸν κόσμον ⸀χωρήσειν τὰ γραφόμενα ⸀βιβλία.  

Latim (Vulgata Latina) Sacra

20 conversus Petrus vidit illum discipulum quem diligebat Iesus sequentem qui et recubuit in cena super pectus eius et dixit Domine quis est qui tradit te
21 hunc ergo cum vidisset Petrus dicit Iesu Domine hic autem quid
22 dicit ei Iesus si sic eum volo manere donec veniam quid ad te tu me sequere
23 exivit ergo sermo iste in fratres quia discipulus ille non moritur et non dixit ei Iesus non moritur sed si sic eum volo manere donec venio quid ad te
24 hic est discipulus qui testimonium perhibet de his et scripsit haec et scimus quia verum est testimonium eius
25 sunt autem et alia multa quae fecit Iesus quae si scribantur per singula nec ipsum arbitror mundum capere eos qui scribendi sunt libros amen

Tradução Literal baseado nos textos anteriores (Pr. Bruno Pontes)*¹




20 Então Pedro, havendo-se voltado, vê seguindo-O (seguindo Jesus)*¹ aquele discípulo (João) a quem Jesus amava (aquele que também, na ceia, se recostou sobre o peito dEle (de Jesus), e que disse: "Ó Senhor, quem é que Te está traindo?")
21 Pedro, havendo visto este (João), diz a Jesus: "Ó Senhor, e que será deste varão?"
22 Jesus lhe diz: "Caso Eu deseje ele permanecer enquanto Eu venho, que importa a ti? Segue-Me tu."
23 Portanto, saiu esta palavra para os irmãos, que aquele discípulo (João) não morre. No entanto, Jesus não disse a ele (a Pedro) que "ele (João) não morre", mas: "Caso Eu deseje ele permanecer enquanto Eu venho, que importa a ti?"
24 Este (João) é o discípulo que está testificando a respeito destas coisas e havendo escrito estas coisas; e temos sabido que o testemunho dele (de João) é verdadeiro. 
25 E também há muitas outras coisas, tantas quanto Jesus fez; as quais, se fossem escritas uma por uma, eu suponho nem ainda o mundo, ele mesmo, ter espaço para os livros que estariam sendo escritos. Que assim seja!

Tradução João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (ARA - Pt/Portugal)

20 E Pedro, virando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, o mesmo que na ceia se recostara sobre o peito de Jesus e perguntara: Senhor, quem é o que te trai?
21 Ora, vendo Pedro a este, perguntou a Jesus: Senhor, e deste que será?
22 Respondeu-lhe Jesus: Se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso? Segue-me tu.
23 Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não disse que não morreria, mas: se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?
24 Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.
25 E ainda muitas outras coisas há que Jesus fez; as quais, se fossem escritas uma por uma, creio que nem ainda no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem.



* - Sociólogo, Teólogo e Cientista da Religião; Mestrando em Ciências da Educação, pela Universidade Lusófona de Humanidade e Tecnologia (ULHT - Pt); Mestre em Divindade (Magister Divinitatis), pela FATEFFIR. Diretor Acadêmico da FAENOR - Faculdade, João Pessoa/PB. Aluno da Licenciatura em Línguas Clássicas (Grego e Latim) da UFPB.
E-mail: brunopontescosta@gmail.com

*¹ - () Observações feitas pelo autor durante o processo de tradução, para auxiliar a interpretação léxica (morfológica) do português.

*² - Pronome Pessoal do Caso Reto na 2ª Pessoa do Singular Masculino; Pronome Pessoal do Caso Reto na 3ª Pessoa do Singular Masculino.

*³ - Acesso em 24/09/2012, às 23h39min. http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Pedro

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

GREVE DAS UNIVERSIDADES: MANIFESTAÇÃO DIA 24 DE AGOSTO

Tendo em vista a vagarosidade e indisposição do governo federal em negociar satisfatoriamente, estudantes, funcionários e professores das universidades federais de todo o Brasil  estarão se mobilizando em protesto que ocorrerá próximo dia 24 de agosto. Os protestos ocorrerão em quase todas as capitais do País, inclusive João Pessoa. 

A Aliança Bíblica Universitária de João Pessoa estará presente, pois entendemos que os cristãos não podem se omitir perante situações do tipo. Na Bíblia está claro que Deus abomina atos de injustiça e que Ele anseia por nossa mobilização em prol de um sociedade melhor.

Nossas universidades precisam de mais atenção. Nossos professores de mais valorização. Nossos alunos de mais qualidade de estudo.

Vamos nos mobilizar!

A ABU estará com faixas, apito, cartazes... e com você principalmente!

Para maiores informações ligue para 8828 0295 (falar com Helton)

 "Abre a tua boca; julga retamente; e faze justiça aos pobres e aos necessitados."
(provérbios 31.9)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O DESCONHECIDO LEWIS

C. S. Lewis (1898-1963), nascido em Belfast, foi professor assistente em Oxford em várias áreas e depois, catedrático em Cambridge, na área de Literatura Inglesa Medieval e Renascentista.
Sua vasta obra nos campos da filosofia, da teologia e da ficção, a julgar pelas “Crônicas de Nárnia”, que mereceram a atenção de Walt Disney, é tão marcante, que muitas vezes nos esquecemos de sua contribuição ao mundo acadêmico, que não foi pequena.
Mais fascinante ainda é atentar para a sua história de vida, relatada na sua autobiografia, “Surpreendido pela Alegria”, uma história apaixonante de conversão de um ateu, convencido de que suas faculdades mentais e psíquicas eram suficientes para não precisar de Deus, para a fé em Cristo. Aliás, ele mesmo confessa que se trata da história de um homem desesperadamente preocupado em evitar que Deus interferisse na sua vida.
Quando, finalmente, aos 30 anos de idade, ele deu o seu primeiro passo de volta para o cristianismo, de onde partiu com a morte prematura de sua mãe, quando ele não contava com mais do que nove anos de idade, Lewis confessou que foi o “mais relutante de todos os convertidos”. E esse foi apenas o começo de uma longa jornada de volta para o seu lar perdido e muito desejado.
Numa série ainda inédita no Brasil, com a qual nos brinda a Editora É-Realizações, vamos conhecer um aspecto dessa mente brilhante que poucos, mesmo apreciadores de sua obra, conhecem e que não conta com muitos apreciadores. Também não conta com a popularidade de sua obra de ficção.
O primeiro livro da série, “Alegoria do Amor”, é um estudo de obras alegóricas que marcaram, na literatura inglesa, a virada da Idade Média para o Renascimento. O que elas têm em comum? O uso das figuras de linguagem para expressar os mais profundos anseios do coração humano, muitas vezes encarnados na figura da musa inspiradora.
“A Imagem Descartada” é uma análise da cosmovisão medieval e de como ela entrou em crise com o Renascimento. Não se trata de uma visão saudosista, mas trata-se antes de um corretivo anterior ao feito por grandes medievalistas como Étienne Gilson e Henri Marrou para o preconceito frequente com que lidamos com as coisas medievais.
Já “Estudos de Literatura Medieval e Renascentista” é um tratado mais profundo de obras já abordadas em “A Imagem Descartada”, tais como Spenser e Dante, entre outros, mas com outro enfoque: no que essa literatura tem de contributivo para o patrimônio comum da literatura mundial. 
Finalmente, “Prefácio ao Paraíso Perdido” é um estudo em profundidade de um dos autores em que Lewis era especialista: Milton e seu estilo épico. 
Todos esses livros têm em comum o tema de fundo que perpassa também o tipo de literatura abordada, que é o da filosofia e da teologia. Talvez fosse interessante notar que Lewis e seus colegas, os “Inklings”, tinham um método particular de fazer teologia, que era o que chamavam de “teologia do romance”, que muitos, hoje, chamam de “teopoésis”. Então, longe de interessar apenas a “experts” em literatura medieval e renascentista inglesa, esses livros apelam a todos aqueles que estão empenhados em ver o mundo com outros olhos e aprender com o outro, pela via da literatura.

Fonte: ULTIMATO

Bob Dylan lança novo CD com músicas religiosas

Nova Iorque, quinta-feira, 9 de agosto de 2012 
(ALC) O cantor e compositor Bob Dylan lançará, no dia 11 de setembro, um novo CD, o 35º de sua trajetória, intitulado “Tempest”, com músicas religiosas. Ele comemora 50 anos de carreira artística. Em entrevista para a revista Rolling Stone, Dylan admitiu que gostaria de ter composto mais músicas de cunho religioso para compor esse novo CD. No CD ele presta homenagem a John Lennon e lembra o afundamento do navio Titanic.
Nos anos 60 do século passado, Dylan desafiou a música pop. As letras que escreveu passaram a abordar temas sociais e filosóficos. Ele fundiu folk, country, blues, gospel, rock, jazz e swing. Converteu-se num "cronista informal" dos conflitos estadunidenses e muitas de suas músicas transformaram-se em odes contra a guerra e serviu de bandeira aos movimentos civis. 
No final dos anos 70, converteu-se ao cristianismo e publicou dois álbuns gospel: “Slow Train Coming” e “Saved”. Passou a fazer do palco um púlpito onde reafirmou sua fé. Conquistou vários prêmios Grammys, Discos de Ouro e recebeu, em 1999, a Ordem das Artes e Letras da França. 
Em 2000, ganhou o Prêmio Música Polar da Real Academia Sueca de Música. Em 2007, recebeu o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes e, em 2008,  o reconhecimento honorário do Prêmio Pulitzer, por seu profundo impacto na música popular e cultura americana.
A revista Time arrolou-o entre as 100 pessoas mais influentes do século XX, enquanto a Rolling Stone colocou-o nas lista dos 100 melhores artistas de todos os tempos, ficando apenas atrás dos Beatles. 
Dylan declarou à Rolling Stone que que seu sucesso deve-se, em grande parte, à sua fé e à generosidade de Deus, como ator principal de seu trabalho criativo e motivador de uma música para multidões que precisam compartilhar amor, respeito e fraternidade.
Dylan nasceu em Duluth, Minnesota, em 24 de maio de 1941 e é considerado um dos compositores e músicos mais influentes do século 20.
Fonte: Agência Latino-americana e Caribenha de Notícias (ALC)

INTRODUÇÃO A TEOLOGIA CRISTÃ (PARTE 2)

por HELTON DE ASSIS FREITAS
IV. FUNÇÕES DA TEOLOGIA

A teologia é uma necessidade do cristianismo contemporâneo, tendo em vista que ela tem sido negligenciada em muitos meios eclesiásticos. Essa negligencia é muito comum nos meios pentecostais e nas comunidades eclesiásticas independentes. Infelizmente esse fenômeno traz muitas consequencias negativas como hipervalorização do emocionalismo e pobreza doutrinaria. Normalmente esses círculos estão muito vulneráveis a falsas doutrinas e comportamentos que não condizem com os princípios da Bíblia.

Em síntese podemos notar cinco funções da teologia:
·        A teologia como explicação da realidade
·        A teologia como sistematização da doutrina cristã
·        A teologia como defesa da fé e ponte até os não crentes
·        A teologia como crítica da vida e da proclamação da igreja
·        A teologia como contemplação

V. NATUREZA DA TEOLOGIA

A teologia Cristã é a tentativa, levada a prática pelos adeptos do cristianismo,  de representar suas afirmações de crença de modo consistente, explicando-as a partir de seus fundamentos e relacionando a fé cristã às demais referências humanas, como a natureza e a história, e aos processos cognitivos, como a razão e a lógica.

Assim como nas outras ciências, a teologia deve comportar alguns dos critérios tradicionais do conhecimento cientifico:
1 Ela precisa ter um objeto definido de estudo;
2. Um método investigativo;
3. Objetividade no sentido de que o estudo lida com fenômenos externos à experiência imediata do pesquisador, sendo portanto, acessível à investigação de outros;
4. Coerência entre as proposições do objeto em questão, de modo que o conteúdo forme um corpo definido de conhecimento, não uma série de fatos desconexos ou pouco relacionados entre si.

O ponto de partida para o estudo da teologia cristã

Uma das questões que precisam ser imediatamente encaradas quando estudamos a teologia cristã é a da fonte da qual vamos extrair nosso conhecimento. Basicamente as fontes são quatro:

1.      Revelação Geral. O universo criado é estudado para determinar certas verdades acerca de Deus e da natureza humana. Os meios tradicionais de revelação geral são três: a natureza, a história e a constituição do ser humano.
2.      As Escrituras. A Bíblia é tida como o documento definidor ou a constituição da fé cristã. Portanto, ela especifica em que se deve crer e o que se deve fazer.
3.      Experiência. Considera-se que a experiência espiritual de um cristão hoje evidência informações divinas.
4.      História da Teologia: Pesquisa-se o que vêm sendo adotado e ensinado ao longo dos séculos por indivíduos  e organizações que se identificam como cristãos. Assim, o que tem sido crido torna-se pista para descobrir o que deve ser crido. Esta fonte deve ser totalmente sujeita ao olhar crítico do teólogo e comparada com as outras três fontes, principalmente a fonte bíblica.

O método da teologia

Assim como em todas as outras ciências, a teologia possui um procedimento definido. O renomado teólogo Millard J. Erickson em seu livro Introdução à Teologia Sistemática ( no original em inglês Introducing Christian Doctrine)enumera nove procedimentos metodológicos:

1.      A coleta dos materiais bíblicos
2.      A unificação dos materiais bíblicos
3.      A análise do significado dos ensinos bíblicos
4.      O exame das interpretações históricas
5.      A identificação da essência da doutrina
6.      A iluminação por meio de fontes extrabíblicas
7.      A expressão contemporânea da doutrina
8.      O desenvolvimento de um tema central interpretativo
9.      A estratificação dos tópicos

Ainda segundo Millard Erickson, embora os passos descritos não precisem ser seguidos em rígida sequencia, há um desenvolvimento lógico que leva a eles.

VI.  TEMAS TEOLÓGICOS E TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Os temas discutidos pela teologia cristã são de dimensões universais. Abrangem a doutrina de Deus, do homem e do mundo. Nenhuma exposição sobre Deus seria completa se não contemplasse suas obras  e seus caminhos no universo que Ele criou, além de sua pessoa. Toda ciência mantêm algum tipo de relação com o Criador de todas as coisas e com seu propósito na criação. E assim toda autêntica verdade é verdade de Deus. Toda verdade, onde quer que seja encontrada, tem peso e valor iguais como verdade, como qualquer outra verdade. Uma verdade pode ser mais útil em determinada circunstância, e uma outra verdade descoberta pode ser mais útil em outra circuntancia. Entretanto ambas verdades têm seu valor.
Portanto é perfeitamente licito utilizar-se de outras fontes, enquanto verdade, para o estudo da teologia. O estudo teológico que incorpora em seu escopo o exame das ciências naturais e sociais é denominado teologia sistemática.

A teologia sistemática tradicionalmente organiza as doutrinas cristãs da seguinte forma:

·        Sagradas Escrituras (Bíbliologia)
·        Deus (Teologia propriamente dita)
·        A Criação
·        Seres espirituais
·        Homem
·        Pecado (Hemartiologia)
·        Cristo (Cristologia)
·        Salvação (Soteriologia)
·        O Espíriro Santo (Pneumatologia)
·        Igreja (Eclesiologia)
·        As últimas coisas (Escatologia)

Principais obras de referência da Teologia Sistemática (Em língua portuguesa)

·        Teologia Sistemática, Wayne Grudem
·        Introdução a Teologia Sistemática, Millard J. Erickson
·        Teologia Sistemática, Louis Berkoff
·        Teologia Sistemática, Norman Geisler

       CONTINUA...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Um pouco sobre João Calvino

por Helton de Assis Freitas

- Nasceu em 1509 na cidade de Noyon, França
-Filho de um tabelião que era secretário do bispo de Noyon
-possuiu uma boa educação
- em 1523 iniciou seus estudos na universidade de paris, onde aprendeu filosofia, latim e dialética

- Calvino foi inicialmente um humanista
-O humanismo e o renascimento são
os movimentos culturais que o vão influenciar muito
-Apesar de preferir a Teologia Calvino  seguiu
 os planos do pai, que quis que ele fizesse direito
- em 1533 se declarou protestante
  -Entre 1528 e 1533, freqüentou as universidades de Orleans (doutorado em direito, 1532) e de Bourges.
-em 1532, escreve seu primeiro livro que trata do pensamento de Séneca.
-Aos poucos, foi-se aproximando das questões morais e religiosas e do pensamento de Lutero
-em 1533 sua conversão se torna publica
- em 1935 concluiu sua obra mais famosa: “instituição da religião Cristã” . Essa obra lhe rendeu grande prestigio
-Em 1535, aos 26 anos, é reconhecido como chefe do
protestantismo francês.
-Muito Influenciado por Agostinho
-Em 1536 passa a morar em genebra, onde com a ajuda de outro reformador, Guillaume Farel, começa a reforma nessa cidade
-Em 1538 foi expulso de Genebra e viajou para Estrasburgo, onde trabalhou como pastor e professor.
-Em 1540  casou-se com Idelette de Bure, uma viúva anabatista, com quem viveria por nove anos. Após a Morte da Esposa ele seguiu cuidando dos filhos delas
-um ano depois volta a Genebra e organiza uma nova Igreja, com pastores escolhidos pelos fiéis. Funda também o Colégio de Genebra, que se torna um dos centros universitários mais importantes da Europa.
-Calvino foi tão influente em Genebra , que a cidade era conhecida por muitos como “A cidade de Calvino”. Sua colaboração foi importante para a política, economia, justiça social e vida religiosa desta cidade
-Ocupou-se da difusão da reforma para muitos centros europeus
-É Autor de tratados, centenas de cartas, e comentários sobre quase todos os livros da Bíblia
-Sua dedicação ao estudo da Palavra é inspiradora
-morre em 1564, na cidade de Genebra