sexta-feira, 29 de julho de 2011

Bispo Edir Macedo propõe abstinência de lixo da TV, mas a Record exibe ‘A Fazenda 4’


O bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, propôs aos fiéis em seu blog a realização de uma abstinência de lixo audiovisual nos primeiros 21 dias de agosto. “Será um jejum de toda e qualquer informação secular: TV, internet, jornais, revistas, radio, enfim, de tudo o que não for de Deus.”
Nestes dias, a quarta temporada do programa “A Fazenda”, da TV Record, emissora do bispo, deverá estar a todo vapor. Na busca de audiência a qualquer preço, esse reality show tem se equiparado em baixo nível com o Big Brother Brasil, da TV Globo.
No ano passado, “A Fazenda” ficou em segundo lugar no Ranking da Baixaria na TV, de acordo com levantamento da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Só perdeu para o “Pânico na TV”, da Rede TV!  A classificação foi feita com base em denúncias de telespectadores.
“A Fazenda” deste ano começou na terça-feira (19) e terá duração de 85 dias. Por enquanto, os participantes estão se conhecendo melhor.  O Compadre Washington, líder do grupo de pagode “É o Tchan”, por exemplo, já avisou Monique e Dinei que ele é feio, mas de uma coisa tem certeza: “Eu faço gostoso, a pegada aqui é boa”.
Se o Compadre e outros participantes cumprirem o que falam, o reality show terá boa audiência, recompensando o pesado investimento da emissora.
Uma das fontes de receita da Record, que possibilita investimento como esse, é a Igreja Universal, que compra o horário da madrugada da emissora a peso de ouro. O que vale dizer que os dizimistas que aderirem à abstinência do lixo televisivo estarão financiando as “pegadas” do Compadre Washington.
Em seu blog, Edir Macedo disse que não adianta ser religioso, obreiro, pastor e bispo se o fiel não estiver disposto a vencer “os espíritos das trevas” com iniciativas como a do jejum de lixo secular.
Mas o próprio bispo, pelo que fica subentendido, poderá não se submeter a tal jejum porque, como destacou, ficará dispensado quem trabalha ou depende de informação.
Espera-se, agora, que um dia o bispo Macedo promova jejum de hipocrisia.

http://www.overbo.com.br/bispo-edir-macedo-propoe-abstinencia-de-lixo-da-tv-mas-a-record-exibe-a-fazenda/
Fonte: 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Crer ou não Crer: Eis o Cristão! (Parte II)

O Primeiro Diálogo

Por Bruno Pontes

    Em relação ao título proposto Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601.[1][2] O drama reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, o rei, executando seu próprio tio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet.
Traçando um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida – do sofrimento opressivo à raiva fervorosa (a famosa bipolaridade em conceitos psicanalíticos) – explorando desse modo, temas como: traição, inveja, vingança,incestocorrupção e moralidade.
            Não me assombraria em ver igrejas que ainda hoje, cinco séculos depois, protagonizem em seus “púlpitos e ministérios” o mesmo drama dirigido por Shakespeare em Hamlet, só que mais contextualizado, mais camuflado. Ora, em Naum 1:3 diz que “O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado”. Os cristãos devem agir com honestidade em relação às leis humanas, pois, quem não honra com as leis humanas, não pode honrar com as leis divinas e isso não procede de Deus, isso é óbvio para quem não quer se fazer de cego ou ser demente (ter memória curta!).
E não precisa ser um John Stott da vida para entender que isso não é a Igreja de Cristo e sim um celeiro de falsos cristãos! A igreja do Senhor é inabalável sim, mas, a humana... Não tenho nem dúvidas sobre isto! É apenas uma questão de tempo (Ap 12). Como sempre digo: “um dia as máscaras caem e os verdadeiros crentes sempre estarão dispostos a enfrentar os seus erros e o da verdadeira igreja” (isso é dar a cara a bater!).
A igreja não pode ‘premiar’ o pecador praticante, e ‘punir’ o confesso arrependido, parece-me que os valores cristãos dentro da própria igreja também vêm se invertendo; “agora o possesso é incluído com louvor e o que busca santidade é excluído sem pudor algum”, já está descarada a perseguição por aqueles que almejam em querer fazer o correto? Que loucura! Realmente Jesus está voltando. Que tristeza. Você está preparado para volta de Jesus? De verdade...


(Continua no segundo diálogo...)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Série Conhecendo um pouco mais sobre: A IGREJA ANGLICANA

por Helton de Assis Freitas

Culto de celebração
Paróquia Anglicana da Comunhão- João Pessoa
A igreja anglicana, de origem inglesa, mistura em seu culto e pratica elementos católicos e protestantes. Chega ao Brasil em 1818. Porto alegre, pelotas e Rio Grande tornam-se os centros do anglicanismo no País.


Culto em Igreja Anglicana no Brasil
A igreja anglicana abole o celibato obrigatório, o culto a Maria e aos santos, entre outras doutrinas católicas romanas. De acordo com estimativas da própria igreja, em 2001 havia 106,4 mil adeptos em todo o Brasil.

Sua liturgia herda muito elementos católicos romanos, porém com grande influencia protestante. Algumas de suas crenças doutrinarias variam de acordo com a vertente (pois existem mais de um tipo de igreja Anglicana ao redor do mundo). No brasil, a maior parte das Igrejas Anglicanas assemelham-se com algumas igrejas evangélicas tradicionais, especialmente a Luterana e algumas Presbiterianas. Aqui no Brasil podemos encontrar Igrejas Anglicanas cujos cultos são marcados por cânticos bastante animados e com momentos de oração e até mesmo pregações caracteristeristicas de igrejas bem avivadas (teologicamente falando).
Catedral da Cantuária (principal Igreja Anglicana do Mundo)

Sacerdotes Anglicanos
É interessante observar que na prática, o anglicanismo não surgiu apenas no século XVI, com Henrique VIII. Existem relatos históricos que comprovam que desde o século III já existia o cristianismo na inglaterra, que no caso era a igreja celta.no concilio de Arles,  realizado em 314 d.C, na França, compareceram 3 bispos de uma igreja que existia na inglaterra que até então sua existência era praticamente desconhecida. Outra coisa: A igreja da Inglaterra sempre possuiu caracteristicas peculiares, um exemplo disso é a questão de que ela durante toda a sua história sua relação com o papado muitas vezes  (segundo alguns sempre) foi conflituosa. A igreja Anglicana também sempre foi conhecida por ser nacionalista.  
Se você deseja conhecer um pouco mais sobre a igreja Anglicana aconselho visitar a página: http://www.ieab.org.br/site/pt/historia/historia-do-anglicanismo

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Crer ou não Crer: Eis o Cristão! (Parte I)

por Bruno Pontes Costa

Qualquer semelhança com a celebre frase – “To be or not to be: that's the question” – da obra Hamlet, de William Shakespeare ou com sua igreja local, não importa onde, não será uma mera coincidência!


Crer ou não Crer: Eis o Cristão!  (Parte I) 

"No more! o never more!"
Shelley

" Crer é também Pensar."
John Stott

Introdução

Antes de iniciar minhas palavras, em um diálogo com um grande amigo e irmão em Cristo, gostaria de que este texto teológico-reflexivo (assim com os “anteriores”!) não fosse encarado como um dos episódios cômicos do super-herói atrapalhado da década de 70’, CHAPOLIN, quando o mesmo confecciona uma “roupa invisível para o rei”, onde só os “inteligentes” podiam ver (tô falando sério!).
Estas duas epígrafes são referidas de dois grandes pensadores, a primeira dePercy Bysshe Shelley, um dos mais importantes poetas românticos ingleses[3], inclusive citado com ênfase no poema Lembranças de morrer de Álvares de Azevedo, inserido na segunda geração romântica, conhecida também como Ultraromantismo. O tema principal aqui é a morte, a desilusão com a vida. A morte aqui é vista como escapismo, ou seja, o eu lírico não aceita a realidade e encontra na ideia da morte, como se a morte fosse um refúgio para seus conflitos interiores, por não quere lutar por ela, mas aceitar qualquer coisa para que ele continue como sempre esteve (acomodado). A indignação com a vida é tão grande que afirma "deixá-la como quem deixa o tédio", diferente de Paulo (Fp 1:21) onde afirma que “...morrer é lucro”. Aponta os sentimentos que seriam sentidos por aqueles que verdadeiramente o compreendem e são seus únicos e verdadeiros amigos.
É latente o pessimismo do eu lírico no poema, isso nada mais é do que uma das muitas características do Ultrarromantismo, sem finalidade religiosa ou social. Porém, para nós que somos cristãos precisamos aprender que necessariamente temos que morrer todos os dias, morrer para o passado pecaminoso impregnado em nossa essência humana. Morrer para a inércia pseudo-cristã que transforma a igreja ativa em uma igreja ativista. Cristãos acomodados, preguiçosos, que não evangelizam ninguém, não perdoam ninguém, não amam ninguém (embora falem que sim), não se preocupam com ninguém, a não ser com seus próprios interesses... Lembro-lhe que você não é o que você diz, e sim o que você faz lhe diz quem você é de verdade.
A segunda é do grande doutor em teologia britânico, o anglicano John Robert Walmsley Stott[6]em seu livro “Crer é também pensar”, fala sobre a vida Cristã, mais explicitamente sobre o pensamento ‘racional’ do cristão, na busca do conhecimento da palavra de Deus e do próprio Deus.  Stott passa a demonstrar que assim como o restante da Criação, a razão é um dos dons que Deus deu ao homem para que, com ela, o louvasse. “Não sejais como o cavalo, ou como a mula, que não têm entendimento”, adverte o salmista. Apesar de que tudo que tem fôlego seja convocado a louvar ao Senhor, apenas ao gênero humano, ou seja, todos nós; se exige que seja feito “com entendimento”. Afinal de contas, o cristão deve se esforçar por oferecer a Deus um sacrifício vivo, que é o “culto racional” (Rm 12).
Neste “livretinho” (só de tamanho) são apresentados diversos momentos em que o próprio Deus chama suas criaturas a pensar. Pelo menos em três momentos distintos, Ele chama para o debate (dialogar, e expor suas ideias não é bater de frente ou ser insubmisso)  “Vinde e arrazoemos, diz o Senhor”, ou questiona o porquê do não entendimento dos sinais dos tempos (“Por que não usais os vossos cérebros? Por que não aplicais ... o sentido comum ... ?”– interpretação livre do autor) e ainda convida para a arguição, “Eu lhe perguntarei, e tu me responderás”, o problema mesmo é que hoje tem crente que acredita em tudo o que se diz, na igreja e fora dela sem nem sequer perguntar primeiro à Deus (também, não oram mais! Nem leem mais as Sagradas Escrituras!). Todos esses chamados à racionalidade também levam à necessária responsabilidade que isso nos implica. Não se misturar com o pecado e nem se ajuntar com pecadores (Sl 1), nem participar de coisas erradas passando a mão ou empurrando com a barriga para encobrir pecado alheio (2 Jo 9-11)  ...
Então como deveremos responder a Deus? Ou como entender de maneira correta o que Ele nos diz? Por isso, os seres “criados para pensar” devem estar atentos ao simples fato (embora que para alguns isso é muito difícil de entender!) de que o seu Criador os responsabilizará em tudo a partir de seu conhecimento. A quem muito é  dado...
Esses conceitos mostram a importância que a racionalidade humana desempenha nas doutrinas da redenção e juízo. Quanto às doutrinas da criação e revelação, Deus mesmo se encarrega de incutir ao homem a tarefa de pensar a organização do mundo criado – nomeando-o – e Ele mesmo se apresenta aos seres decaídos através de palavras, prezando e preservando sua racionalidade.
Aliás, a exposição de toda essa obra está em sintonia com a recomendação de S. Pedro, ao afirmar que ao conhecimento (o que pressupõe racionalidade) devem ser acrescentadas a temperança, a perseverança, a piedade, a fraternidade e principalmente ao amor. Esse caráter deve ser reforçado, pois frequentemente uma suposta racionalidade desenvolvida pode levar seu possuidor ao orgulho contra os que não a possuem (e como tem crente orgulhoso e soberbo achado que Deus só fala com ele, que pobre não?). E assim, essa racionalidade dada a e exigida de nós por Deus para o seu serviço e não o da igreja terrena estaria sendo descaracterizada, uma vez que ela foi dada como um instrumento de serviço para a expansão do Reino para o povo fora da Eclésia.
De acordo com S. Paulo: “E isto peço em oração: que o vosso amor aumente mais e mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento, para que aproveis as coisas excelentes, a fim de que sejais sinceros, e sem ofensa até o dia de Cristo”.

domingo, 26 de junho de 2011

Ultimato entrevista o historiador Cristão Alderi Souza de Matos

A igreja é reformada, mas está sempre carecendo de reforma …
A reforma tem a ver com o resgate das convicções básicas da fé cristã, e o reavivamento, com o aprofundamento da vida cristã. Sem avivamento, a reforma pode tornar-se fria, formal e árida, reduzindo-se a uma mera preocupação com a ortodoxia. Sem reforma, o avivamento pode descambar para o emocionalismo superficial e efêmero. Os dois fenômenos nem sempre caminham juntos, mas deveriam caminhar. Esta é a análise do historiador Alderi Souza de Matos, 52 anos, do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.
Com graduação em direito e filosofia, mestrado em teologia e doutorado em história, Alderi considera-se seguidor de Jesus Cristo desde pequeno. A vocação ministerial despontou em 1969, quando ele participou de um retiro no Acampamento Palavra da Vida. No ano seguinte, aos 17 anos, já era aluno do Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, SP.
Ultimato – Qual teria sido o primeiro movimento na história da igreja cristã que pode receber o nome de reforma?
Alderi – Em um certo sentido, o movimento monástico. É interessante que, já no segundo século, os documentos cristãos atestam a ocorrência de um declínio no nível espiritual e ético da igreja. Por isso, os chamados “pais apostólicos” (textos da primeira metade daquele século) revelam uma preocupação quase obsessiva com a moralidade como o aspecto mais importante e decisivo da vida cristã. O cristianismo passou a ser entendido prioritariamente em termos de obediência a preceitos, em contraste com a ênfase na graça encontrada nos escritos do Novo Testamento. No terceiro século, muitos cristãos concluíram que não era possível viver a vida normal em sociedade e serem fiéis discípulos de Cristo. Inspirados pelas palavras do Mestre ao jovem rico (“Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me” – Mt 19.21), eles começam a retirar-se das cidades a fim de, na solidão e no isolamento, poderem se dedicar mais plenamente a Deus. Os dois mais famosos dentre esses “pais do deserto” foram Antão, no Egito, e Simeão Estilita, na Síria. Mais tarde, os monges deixaram de viver sós e passaram a reunir-se em comunidades – os cenóbios ou mosteiros. O monasticismo foi, durante muitos séculos, a principal fonte de renovação e reforma na vida da igreja.
Ultimato – Quem cunhou a célebre frase Ecclesia reformata et semper reformanda est? Ela é oportuna?
Alderi – Não se sabe exatamente quando nem quem cunhou essa conhecida frase. Provavelmente ela surgiu após o período da Reforma, tendo se popularizado no século 19. Existem algumas versões da expressão: Ecclesia reformata et semper reformanda est (A igreja reformada está sempre se reformando) e Ecclesia reformata sed semper reformanda (A igreja é reformada, mas está sempre se reformando ou carecendo de reforma). Esse lema é inteiramente oportuno porque traduz a necessidade constante de reforma, ou seja, de retorno aos fundamentos bíblicos e cristãos que devem caracterizar a igreja. A frase ficou especialmente ligada à Segunda Reforma, ou Reforma Suíça, iniciada por Ulrico Zuínglio e João Calvino, que desde o século 16 ficou conhecida como Igreja Reformada ou Tradição Reformada. Uma ironia do protestantismo é que o mesmo surgiu com uma proposta contestadora, revolucionária e libertadora, mas constantemente corre o risco de tornar-se rígido, estático e conservador. Daí a necessidade contínua de reforma. Portanto, a frase é muito oportuna: ainda que não tenha sido usada pelos reformadores, eles certamente concordariam com o seu espírito.
Ultimato – Quando se fala em reforma, o que está em jogo: a questão teológica, a questão ética ou a questão litúrgica?
Alderi – Todas as três. O aspecto mais básico é o teológico, ou seja, as verdades divinas que devem nortear a fé e a vida dos cristãos. Se a teologia não for correta, isso fatalmente terá conseqüências negativas para a ética e para o culto. Por exemplo, se uma teologia dá mais ênfase ao ser humano, suas necessidades, desejos e escolhas, do que a Deus e sua vontade, a ética e o culto daí resultantes também serão antropocêntricos, e não teocêntricos. Isso explica grande parte da crise de valores experimentada por tantos cristãos nos dias atuais. A boa teologia, por mais que não se aprecie essa expressão, é fundamental para a saúde moral e espiritual dos cristãos. E uma boa teologia significa uma teologia bíblica, equilibrada e consistente; uma teologia que resulta de uma saudável interpretação das Escrituras, que leva em conta “todo o conselho de Deus” e não apenas alguns aspectos do mesmo; uma teologia que não é individualista e subjetiva, mas que considera o legado de reflexão bíblica cuidadosa e reverente que recebemos do passado.
Ultimato – Reforma religiosa sempre provoca cisão na igreja?
Alderi – Essa é uma ocorrência freqüente, em virtude das resistências que sempre se manifestam contra os movimentos reformadores por parte daqueles que desejam a manutenção do status quo, inclusive político-eclesiástico. Por outro lado, a maior parte das cisões que têm ocorrido entre os cristãos, especialmente protestantes, não decorre de anseios legítimos de reforma, mas de outros fatores, alguns muito pouco recomendáveis (personalismos, conflitos de liderança, ensinos questionáveis). Historicamente, a Igreja Católica tem demonstrado maior capacidade de absorver tentativas de reforma sem permitir divisões. Todavia, desde uma ótica protestante, as reformas católicas têm sido pouco radicais, limitando-se, na maioria das vezes, a questões administrativas. A chamada “Reforma Católica” do século 16, realizada pelo Concílio de Trento (1545-1563), foi uma reação contra o protestantismo e preocupou-se antes de tudo em reforçar, não em reconsiderar, os pontos que eram questionados pelos reformados.
Ultimato – Reforma religiosa e unidade da igreja — uma é mais importante que a outra?
Alderi – O Novo Testamento nunca coloca a unidade da igreja como um bem supremo, como um valor que deve ser mantido a qualquer preço. É evidente que a unidade é importante, como expressão do desejo do próprio Jesus manifesto em sua oração sacerdotal (Jo 17) e como conseqüência do conceito paulino da igreja como corpo de Cristo. A questão central é o que se entende por “igreja”: seria a instituição visível ou o conjunto dos cristãos, estejam onde estiverem? Por exemplo: dois grupos podem estar dentro da mesma instituição e ainda assim estarem profundamente separados um do outro, sem nenhuma comunhão entre si. É o que acontece, por exemplo, com os integrantes da TFP e os partidários da Teologia da Libertação. Por outro lado, no meio evangélico membros de diferentes igrejas se tratam como irmãos e participam de projetos comuns. Onde está havendo mais unidade? Os cristãos devem se preocupar tanto com a pureza quanto com a unidade da igreja, sem sacrificar uma por causa da outra.
Ultimato – A reforma religiosa sob o ponto de vista da história costuma ser um processo vagaroso ou um acontecimento abrupto?
Alderi – Nem uma coisa nem outra. A maior parte das reformas verificadas no cristianismo não ocorreram de modo muito rápido nem muito prolongado. Um bom exemplo é o pietismo alemão, o famoso movimento revitalizador do luteranismo no final do século 17 e início do século 18. O movimento surgiu e produziu os seus melhores frutos dentro de algumas décadas, sob a direção de dois líderes notáveis: Phillip Jacob Spener e August Hermann Francke. Outro exemplo relevante é o puritanismo inglês, um movimento de grande impacto renovador nas áreas da teologia, da espiritualidade e da pregação, que em poucas décadas afetou profundamente toda uma nação.
Ultimato – Por que a Reforma Protestante e a Reforma Tridentina não deram o mesmo resultado?
Alderi – Por causa dos objetivos radicalmente diferentes das duas reformas. A reforma protestante foi um movimento contestador, restaurador, de retorno ao que os reformadores entendiam serem os fundamentos bíblicos dos quais a igreja romana havia se afastado. Por sua vez, a reforma católica foi um esforço de preservação da tradição e da identidade católica frente à contestação protestante.
Ultimato – Qual a diferença entre reforma e reavivamento? Os dois eventos caminham juntos?
Alderi – A reforma tem a ver com a restauração da verdade bíblica, com o resgate das convicções básicas da fé cristã, em suma, com o aspecto teológico, doutrinário. O reavivamento está mais ligado à vida prática, à espiritualidade, à comunhão com Deus, ao aprofundamento da vida cristã. Sem avivamento, a reforma pode tornar-se fria, formal e árida, reduzindo-se a uma mera preocupação com a ortodoxia. Por outro lado, sem reforma, o avivamento pode descambar para o emocionalismo superficial e efêmero, para o individualismo que busca experiências arrebatadoras, mas sem um compromisso profundo com Deus e com a igreja. Os dois fenômenos nem sempre caminham juntos, mas deveriam caminhar. O apóstolo Paulo apresenta a fórmula ideal ao exortar os efésios: “Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo” (Ef 4.15).
Ultimato – Houve algum desvio significativo na história recente da igreja (século 20) que justificaria uma reforma hoje?
Alderi – A Igreja Católica demonstrou alguns elementos muito positivos ao longo do século 20, principalmente o despertamento para o clamor dos sofredores, a luta em prol da justiça social, a defesa da dignidade da vida humana. Outros eventos auspiciosos foram a renovação litúrgica e a abertura para o diálogo interconfessional em conseqüência do Concílio Vaticano II. Todavia, desde uma ótica protestante, essa grande e antiga igreja continua a carecer de reforma no âmbito teológico, em virtude da manutenção de convicções e práticas que não encontram respaldo escriturístico e que nunca foram aceitas pela igreja apostólica. O maior exemplo é o culto prestado a Maria e aos santos, que obscurece e relativiza a devoção plena e exclusiva que os cristãos devem à Trindade (“Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto” – Mt 4.10). No meio evangélico, por outro lado, ocorreram alguns desdobramentos preocupantes durante o século 20. Um deles foi o progressivo abandono das grandes verdades proclamadas pelos reformadores e seus herdeiros, as chamadas “doutrinas da graça”, em prol de uma teologia centralizada no ser humano, nas suas necessidades e nos seus desejos. Uma das principais áreas em que isso se reflete é o culto. Outro problema é a crescente assimilação, por parte dos evangélicos, dos valores da sociedade de consumo, mediante o discurso pretensamente bíblico da teologia da prosperidade e do sucesso. O resultado é uma espiritualidade imatura, egocêntrica e alienada dos problemas sociais.
Ultimato – Em 1989, o padre belga José Comblin, numa palestra pronunciada no seminário sobre Evangelização e Modernidade, promovido pela CNBB, em Brasília, disse que “a Igreja Católica vai ter que morrer para começar a falar em reforma”. Qual das três vertentes cristãs (católica romana, ortodoxa e protestante) é mais aberta a uma possível reforma?
Alderi – Depende da natureza dessa reforma. Os católicos são mais abertos para reformas nas áreas administrativa (direito canônico), litúrgica e devocional, mas fortemente avessos a reconsiderações de suas posições no aspecto doutrinal. Os protestantes, por causa da sua própria história e mentalidade, têm maior abertura para mudanças nos aspectos teológico e comportamental. A igreja ortodoxa é a mais conservadora das grandes tradições cristãs.
Ultimato – Como situar o fenômeno pentecostal e carismático do início do século passado e, sobretudo, o fenômeno neopentecostal, bem mais recente? Essas igrejas são filhas da Reforma Protestante?
Alderi – O fenômeno pentecostal surgiu nos primeiros anos do século 20, mas foi fruto de eventos que ocorreram no protestantismo americano ao longo de todo o século anterior, a partir do Segundo Grande Despertamento (1800-1830). Esse avivamento resultou em um grande crescimento da Igreja Metodista, com sua tradicional ênfase na santidade, no ativismo e no “perfeccionismo cristão”. Posteriormente, na segunda metade daquele século, surgiu dentro do metodismo o movimento de santidade (“holiness”), do qual, por sua vez, derivou o pentecostalismo. Os estudiosos dizem que o movimento holiness do século 19 já possuía todos os elementos do futuro pentecostalismo, exceto o falar em línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo. Não deixa de ser significativo que o pentecostalismo teve grande aceitação em segmentos marginalizados da sociedade americana, como os negros e os imigrantes. Num segundo momento, a partir da década de 50, surgiu o movimento carismático, que foi a ocorrência de fenômenos e ênfases pentecostais na Igreja Católica e nas denominações protestantes históricas, também nos Estados Unidos.
Já o neopentecostalismo, ou “pentecostalismo autônomo”, consiste em um fenômeno das últimas décadas do século 20. Num certo sentido, trata-se do pentecostalismo clássico levado às suas últimas implicações. Esse movimento mais recente mantém algumas características históricas do seu antecessor, mas ao mesmo tempo afasta-se dele em alguns aspectos importantes. O pentecostalismo clássico é conservador nos aspectos doutrinário e litúrgico, e estabelece forte dicotomia entre a igreja e a sociedade. O neopentecostalismo é inovador, está aberto para novas experimentações e não hesita em abraçar certos valores da cultura circundante. No Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus se coloca numa categoria à parte, mesmo entre os neopentecostais, por causa da sua ousadia quanto ao significado dos bens materiais, do uso de técnicas de marketing e das contínuas adaptações a elementos da religiosidade brasileira.
Essas igrejas ainda podem ser consideradas filhas (ou netas) da Reforma Protestante, por manterem certos elementos básicos da mesma (justificação pela fé, ênfase nas Escrituras, sacramentos bíblicos etc.). Ao mesmo tempo, determinados grupos, especialmente neopentecostais, têm se afastado perigosamente de algumas ênfases centrais da Reforma ao darem destaque excessivo a experiências subjetivas e revelações especiais como norma de fé. Ou seja, praticam uma interpretação bíblica alegorizante e tendenciosa, ao dão aos seus líderes um papel crescente como mediadores das bênçãos divinas e especialmente privilegiam um entendimento pouco saudável da vida cristã em termos de uma transação com Deus, e não como uma dádiva graciosa do seu amor imerecido.
Ultimato – Na presente conjuntura histórica, o que você aconselha aos jovens que nasceram e cresceram na pós-modernidade?
Alderi – Em primeiro lugar, a mentalidade pós-moderna é caracterizada pelo individualismo e o subjetivismo. O indivíduo se torna o centro de todas as coisas, e seus desejos, preferências e satisfação pessoal passam a ser os alvos supremos. Os jovens devem resistir a isso, procurando ir além dos projetos meramente individuais e cultivando o idealismo, a solidariedade, o envolvimento com os desafios e as oportunidades da vida comunitária. Isso pode ser desafiador, e exigir disciplina e algumas renúncias, mas é uma experiência que enriquece e aprofunda a vida. Outra característica negativa da pós-modernidade é o relativismo, a falta de referenciais seguros, de valores sólidos pelos quais vale a pena viver e morrer. Diante disso, os jovens cristãos devem cultivar uma identidade clara quanto à sua fé e procurar ter convicções firmes e consistentes, tanto doutrinárias quanto éticas. Por último, o pós-modernismo tem a tendência de supervalorizar as conquistas do presente e desprezar o passado. Os jovens moldados pela cultura pós-moderna precisam saber que o mundo não começou com eles, e que existe beleza e relevância em muitas coisas legadas pelas gerações anteriores.
Fonte: Revista Ultimato, edição 295 – jul/ago de 2005.

sábado, 25 de junho de 2011

Frases - Diógenes de Sínope

"Qual o melhor momento para o jantar? 'Se alguém é rico, quando quiser, se é pobre, quando puder'. "


"Se o corpo chamasse a alma perante a justiça, ele a convenceria facilmente de má administração."


"A sabedoria serve de freio à juventude, de consolação à velhice, de riqueza aos pobres e de ornamento aos ricos"


Diógenes de Sínope, Grego, Século IV a.C.(em grego antigo: Διογένης ὁ Σινωπεύς; Sínope404 ou 412 a.C. – Corinto, c. 323 a.C.), também conhecido como Diógenes, o Cínico, foi um filósofo da Grécia Antiga. Os detalhes de sua vida são conhecidos através de anedotas (chreia), especialmente as reunidas por Diógenes Laércio em sua obra Vidas e Opiniões de Filósofos Eminentes.


Diógenes de Sínope foi exilado de sua cidade natal e se mudou para Atenas, onde teria se tornado um discípulo de Antístenes, antigo pupilo de Sócrates. Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas, fazendo da pobreza extrema uma virtude; diz-se que teria vivido num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. Eventualmente se estabeleceu em Corinto, onde continuou a buscar o idealcínico da autossuficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização.Acreditava que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta.
Um fato conhecido de Diógenes é seu encontro com Alexandre, então o homem mais poderoso conhecido. Alexandre solicitou que Diógenes pedisse o que quisesse e este pediu que Alexandre saísse de sua frente pois estava tapando o sol. Diógenes estava com esse ato demonstrando o quão pouco ele necessitava para viver bem conforme sua natureza.


Não sou muito fã do Diógenes mas algumas coisas nele me chamou muito a atenção. Ele entendia que o materialismo é muito fútil e que a vida é melhor vivida com a prática da simplicidade. Também concordo plenamente com ele quando defende piamente que a virtude só tem valor mesmo quando ela sai da teoria e se torna prática



Diógenes sentado em seu barril cercado porcães. Pintura de Jean-Léon Gérôme de 1860.


http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=30 e Wikipedia

terça-feira, 21 de junho de 2011